Por JMMA
Chega dessa coisa de esmiuçar (como diz o outro) todos os dias as mentiras e charadas do mundo do futebol. Danem-se. Por mais apetecível que fosse falar sobre a tosa sem espinhas, do FCP na cidade dos arcebispos, hoje o assunto é outro. Vou falar de um amigo comum. Comparece assiduamente por aqui, mas tão discreto é que poucos o conhecem. Crítico, leva a semana inteira a dizer-me o que é que devo escrever, e depois escrito, a chatear-me porque é que o escrevi assim.
Falo dele porque hoje faz outra vez 30 anos. Sempre considerei, após aturadas pesagens e rigorosas medições, que é a melhor idade que um homem pode ter. É a idade mais bonita que há. A partir dos 30, o amadurecimento é tão gradual – dá-se tão naturalmente – que até o peso dos 40 é treta. E porquê? Porque o mau já passou e o pior demora muito tempo a chegar. Só a partir dos 39 se acorda para a inexorável sucessão dos números. E, mesmo assim ao de leve, graças a Deus.
30 anos é 15; é 20; é 25. São todas boas idades mas verdes. Com 15 ainda não se tem 18. Com 20 já se tem carta, mas as mais das vezes ainda não se tem carro. Com 25 tudo parece uma maravilha, já começa a haver dinheiro, só que é tudo em ponto pequeno. A escassez forja o desejo, e a vida só anima porque antes não se tinha nada. Melhor do que tudo, são os 30. Só sabe quem teve. E o amigo de que falo sabe porque, como disse, hoje fez outra vez.
Quem é, afinal, esse amigo? Essa é das perguntas mais complicadas que me podem fazer. Muito mais complicada do que endireitar a sombra de uma vara torta; explicar ao Madail a diferença entre um offside e um offshore; ou mesmo do que convencer o Zé Camarinha que “pole position” não tem nada a ver com Kama Sutra. Esclareça-se que a complicação reside em ter de ser eu a responder, pois não gosto de gabar ninguém em público sem motivo aparente. E se estão à espera que me ponha aqui a discursar sobre os defeitos dum amigo em dia de aniversário, estão rectangularmente enganados.
Mas é menino – isso garanto – para a esta hora estar alegremente agradecido pela colossal prenda de aniversário que lhe foi endereçada à 5ª jornada, a partir da cidade dos arcebispos, por um tal senhor Alan. Mais uma prova de que 30 anos é mesmo uma idade muito divertida.









O primeiro-ministro José Sócrates justificou esta semana, com base na crise internacional, o previsível não apuramento da Selecção para o Mundial de 2010. Contra a desilusão, Sócrates avançou com uma promessa eleitoral. “Devido ao bom trabalho desenvolvido, tanto o Queiroz como o adjunto Oliveira têm desde já lugar garantido no Governo que sair das próximas eleições, qualquer que seja o partido vencedor». E explicou: Segundo as estatísticas, Portugal nesta qualificação está no top das 10 selecções menos eficazes, ao lado das ilhas Faroé, Montenegro, e outras selecções secundárias. Em casa ainda não ganhou nenhum jogo e em 55 remates fora de área, nunca marcou nenhum golo – o que demonstra bem a falta de acerto. No entanto, Queiroz acredita que Portugal “está no caminho certo”. E Agostinho, o adjunto, apesar do desaire iminente vai mais longe garantindo que “as coisas estão a decorrer de acordo com o planeado» e que “estamos a construir para o futuro”.

Em geral, não sou pessimista e tratando-se de futebol, menos ainda. Neste caso, acho-me mais propenso a acreditar no improvável (se me convém), do que dado a estados de alma derrotistas quando, matematicamente, ainda é possível. Já dizia Balzac, a melhor ilusão na vida são as ilusões da vida.


