segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Toques de Cabeça

SÃO ROSAS, MEU SENHOR!
CRÓNICA DE UM MILAGRE ANUNCIADO
Por JMMA





Segundo noticiava há dias o jornal Público na página de Economia, todas as dívidas abrangidas pelo “Plano Mateus” cujo prazo de prescrição terminou antes de 1999 podem estar perdidas para o Estado.

É preciso recuar para aí uns dez anos para perceber a história. Aliás, o milagre.

O “Plano Mateus” surgiu como fruto da reclamação nos anos 90 de muitas empresas que apresentavam avultadas dívidas ao Fisco e à Segurança Social. Exigir o seu pagamento poderia – dizia-se então – pôr em causa a viabilidade dessas entidades.

Os clubes de futebol estavam nesse grupo. Os tempos finais do cavaquismo foram inclusivamente palco de um levantamento dos apoiantes do FC Porto, quando o Fisco penhorou partes do estádio (incluindo sanitários) para cobrar uma dívida.

A adesão dos clubes ao “Plano Mateus” foi autorizada em 1998 e rodeou-se de uma polémica que ainda mexe. Liga e Federação debatem-se nos tribunais para não pagar as dívidas exigidas pelo Estado, mas têm perdido sucessivamente essas acções.

De qualquer modo, ao aderir ao “Plano Mateus” os clubes prometeram duas coisas. Primeiro, pagar as dívidas em atraso de acordo com o calendário de amortizações estabelecido nesse plano. Segundo, não criar mais dívidas após a adesão ao Plano.

Nada disso se verificou. Segundo o Público (página Economia), desde 1996, os clubes geraram mais de 15 milhões de euros de novas dívidas sem que nada acontecesse. E em Agosto de 2003, os clubes só tinham pago 8 dos 58 milhões de euros em dívida. Argumento: porque foram interpostas acções em tribunal. E estamos nisto.

Aliás, estávamos nisto. Porque agora vem o melhor.

Acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo (STA) consideram inconstitucional uma norma do “Plano Mateus”. O que está em causa neste imbróglio é se a adesão dos contribuintes àquele plano excepcional de regularização de dívidas em prestações suspendeu ou não os prazos legais de prescrição. Segundo a tese defendida nesses acórdãos não, a adesão ao plano não suspendeu a prescrição. Portanto, ninguém deve nada a ninguém.

(Um parênteses para ver se a gente se entende. Eu devo 1000 euros ao Vítor, e já devia tê-los pago em 2008. Em Junho de 2009 vou ter com o Vítor e peço-lhe com jeitinho para ele me deixar pagar até fim de 2010. Hoje, sem ainda ter pago nada, estou a escrever uma carta ao Vítor a comunicar-lhe que não lhe devo nada. Porquê? Prescreveu!). Fantástico, não acham?

Mas ainda não é tudo. Aliás, talvez fosse prudente sentarem-se antes de lerem o resto.

Um dos relatores desses brilhantes acórdãos é o actual presidente do Supremo Tribunal Administrativo. E sabem quem é o actual presidente do STA? Chama-se Lúcio Barbosa, foi até há poucos anos vice-presidente do FC Porto e chegou a liderar o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)!

Sem comentários. Palavras para quê?

FCP: 3 - Leiria: 2


Mais uma vitória tipo "ai Jesus". Não que o treinador do Benfica tenha alguma coisa a ver com isto, mas sim porque o Porto ganhou mais uma vez com o credo na boca. Mesmo tendo sido um final do jogo sofrido (estive ligado às máquinas uns bons minutos), o que também é verdade é que o Porto não merecia aquilo, pois, embora não tendo feito um jogo de encher o olho, jogou o suficiente para ganhar de uma forma tranquila.

E o problema é quase sempre o mesmo: em situação de vantagem no marcador, a equipa adormece e relaxa como se as coisas estivessem feitas. O motivo para isto acontecer é que ainda me escapa. Não sei se é por os jogadores estarem cansados de ganhar ou se é mesmo por aselhice. Eu vou mais pela segunda. E esta minha conclusão leva-me a outra que me faz discordar do Pinto da Costa: O Porto precisa de, pelo menos, um reforço para o meio campo. Não pode é ser mais um Argentino ou outro gajo qualquer sul americano. Tem que ser verdadeiramente um reforço. Dou dois nomes: Ruben Micael e Van Der Vaart. Bem sei que o segundo é, provavelmente utópico, mas ainda posso sonhar. O primeiro é, atendendo a contratações recentes, mais realista. O presidente do Nacional fala em 5 Milhões. Se o Porto dá 4 M pelo Sapunaru, Prediguer ou o diabo a quatro, não poderá dar 5 Milhões por um jogador Português, jovem (logo que se enquadra no perfil que o Porto procura), que pode ser rentabilizado e ainda por cima com qualidade comprovada? Julgo que sim. Espero, sinceramente, que o frio que se fez sentir no Dragão não tenha impedido o PC de ver o que todos os portistas viram, ou seja, o meio campo do Porto precisa de um cérebro para o seu meio campo. Ah, não se pode sofrer dois golos em casa contra equipas do meio da tabela, falo concretamente deste jogo e do jogo com a Académica.

Bom, depois dos pontos negativos do jogo, eis os positivos. E também foram alguns. Desde logo a relva do Dragão. Nos últimos tempos chuvei que se fartou, mas nem por isso a relva piorou. É um gosto ver aquele tapete, quando ao ver os resumos chega-se à conclusão que 95% dos estádios têm uma relva tipo "Deus me livre". Depois, o Falcão. O homem é jogador da bola e só é pena que não tenha, neste momento, uma equipa que o apoie, embora tenha gostado da reacção da equipa nos momentos seguintes aos golos do Leiria. Finalmente, mais um grande golo do Bruno Alves.

Como disse alguém na semana que passou, os campeões também ganham assim.

Roubo do Vaticano


Depois de Elmano Santos se ter equivocado, ao expulsar o Guarda-Redes do Leiria estava à espera de ouvir outra vez Pinto da Costa a falar de roubos de Igreja..., ou de Catedral..., ou dos Clérigos..., ou até tendo ele cognome de "Papa", quem sabe roubo do Vaticano.

Mas como o FCP está em Blackout, não vai ser possível. É pena.

Por falar em Blackout, ainda não percebi o Blackout dos jogadores do FCP, a que Jesualdo se associa, mas que é só ao jornal A Bola, mas que não falam com todos os outros orgãos de informação, e que nada tem a ver com o clube, nem com a SAD.

Elucidem-me por favor.

Foi impressão minha, ou ontem Jesualdo falou depois do jogo em conferência de impressa?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Rio Ave-0 Benfica-1

Antes dos jogos do Benfica tenho sempre "estados de alma", e esta época curiosamente não tenho errado muito. Para este jogo, ao contrário do de Olhão, tinha plena confiança na vitória.

Primeiro porque percebi que a equipa estava avisada para as dificuldades que iria encontrar. César Peixoto falou a meio da semana que seria preciso raça para ganhar em Vila do Conde, e Jorge Jesus falou no jogo mais difícil fora até ao final do campeonato. E segundo, porque vi o Rio Ave-Braga e o Rio Ave-Sporting, e embora os vila-condenses sejam uma boa equipa, sinceramente acho que vale  menos do que traduz a sua actual classificação.

Parece-me uma equipa organizada defensivamente, mas que ofensivamente vive muito da inspiração do João Tomás.

Relativamente ao jogo propriamente dito, pareceu-me muito táctico. O Benfica não entrou com uma grande intensidade atacante de forma propositada, tentando antes controlar os movimentos do Rio Ave, e jogando no erro do adversário. Esta postura mais expectante dos encarnados, acabou por ser premiada com o golo de Saviola (cada vez que marca um golo, lembro-me sempre Eduardo Barroso. Sexto jogo consecutivo a marcar), e é depois deste golo que se torna evidente a grande diferença entre o Benfica desta época, e da época passada.

O ano passado, um resultado de 1-0 era uma aflição até ao fim. Como ficou demonstrado na segunda parte deste jogo, o Benfica controlou completamente o jogo até ao fim, nunca deixando que o Rio Ave chegasse sequer a assustar.

Mais uma vitória merecida, no culminar de uma semana cheia de mindgames (esperados) vindos de Pinto da Costa, e que até agora e bem, não tiveram resposta por parte dos dirigente encarnados. Quem tem de dar a resposta é a equipa. E esta noite, a resposta foi dada.

sábado, 9 de janeiro de 2010

SLB devia fazer Backout ao jornal "O Jogo", e dedicar o título a um tipo qualquer

Se fosse responsável pelo Benfica, fazia blackout ao jornal "O Jogo", e já agora prometia o título a... (deixa cá ver), pode ser a Bella Gutman (saiu-me este).

Para além de jornal oficial do FCP, "O Jogo" está claramente em regime de contra-informação, na tentaiva óbvia de descredibilização do processo disciplinar instaurado aos jogadores do FCP.

O grande problema de hoje (notícia de primeira página), é que o instrutor necessitaria do processo para diligências que então estavam em curso, e que por isso o FCP ainda não teve acesso ao mesmo. Problema do caneco, hein!

O mais irónico disto tudo, é que foi o próprio FCP a propor à Liga o enquadramento jurídico dos casos como os de Hulk e Sapunaru. Parece que o feitiço se virou contra o feiticeiro.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Blackout: Sinal de força ou fraqueza?




Pois é. Como já tenho alguns anos disto, desde terça-feira que alertei aqui, para as já "Conhecidas Tácticas de Pinto da Costa". Era tão previsível...

Quando o FCP se sente ameaçado ou enfraquecido, arranja um inimigo exterior para que os adeptos se concentrem e distraiam com esse inimigo, e fecha-se em si próprio. É a táctica do costume. Isto é novidade para quem?

Obviamente o FCP tem o direito de fazer o que quiser, mas nós (neste caso eu) também tenho o direito de interpretar como quero. E para mim, este blackout é um sinal de fraqueza, e nunca uma prova de força ou sinónimo de que a razão lhes (jogadores do FCP) assista.

Atentem bem, no que diz Vítor Serpa (director do jornal A Bola), e depois façam o juízo de valor que entenderem.


“Sinto um pouco de confusão por, em pleno século XXI, se continuar com a tendência de querer matar o mensageiro. Sublinho a veracidade da notícia de que os jogadores portistas Fucile, Helton e Cristian Rodriguez também estiveram envolvidos, juntamente com Sapunaru e Hulk, nos desacatos com os "stewards".

Estamos 100 por cento certos daquilo que escrevemos e dissemos. A notícia corresponde a uma realidade que nós afirmamos e de que estamos absolutamente seguros.

Não fizemos qualquer tipo de juízo de valor. Sabemos que a CD da Liga vai ver as imagens e existe também uma queixa feita na Polícia, que decorrerá no âmbito da justiça que não será a desportiva. Não dissemos se as pessoas são culpadas, se foram agressoras ou não. Apenas damos conta de que essa situação é real.

Gostaríamos de ter mais abertura para falar com os jogadores e nem sequer entendemos muito bem este tipo de comunicado porque o plantel do FC Porto sabe que não está autorizado a falar para A Bola há muito tempo, por razões várias que se prolongaram no tempo e que lamentamos, como essas guerras Norte/Sul virtuais.

O jornal não pode ser vilipendiado por dar uma notícia com todo o sentido de verdade. Eu jamais cometeria o sacrilégio de publicar, com o destaque que teve, uma notícia que não estivesse devidamente confirmada.


É uma notícia desagradável para alguns jogadores do FC Porto? Bom, a nossa ideia é que não podemos pensar que as notícias são agradáveis ou desagradáveis. Qualquer notícia é desagradável para alguém. Se quisessemos esconder notícias que seriam eventualmente desagradáveis a terceiros, os jornais morreriam, acabavam-se as notícias".


Não tenho mais nada a dizer. Façam as vossas interpretações.

Discurso antigo, ultrapassado, previsível e... senil



Discurso à moda antiga, ultrapassado. O Benfica é o demo, há que travar a guerra santa. Chica, já cança! Não há outro disco para aqueles lados. É sempre a mesma conversa da treta. Só que agora, pareceu-me com aparente senilidade.

Primeiro diz que “Petição à Verdade Desportiva”, que defende a aplicação de tecnologias no apoio às decisões de arbitragem, é uma palhaçada, e depois promete o título.

É facíl encontrar aqui a relação causa, efeito não é? Sem tecnologia, é mais fácil prometer títulos. Se fosse o LFV a dizer isto, ai, ai. Tínhamos conversa para a época inteira.

Eu vou aplicar aqui a famosa frase do presidente do Benfica: “pelo peixe morre a boca”, é que estou com um feeling (I Got a Feeling) que esta época Pinto da Costa, irá oferecer o título a Pedroto… mas o do Benfica.

Pinto da Costa, parece aqueles cães de fila velhotes, que já quase não ladram, tal a rouquidão que apresentam. Já não assustam ninguém (mas eles pensam que assustam).

Ontem na TV, ouvi um comentador a dizer uma coisa que me fez pensar. Dizia ele que Pedroto estava avançado no tempo, que foi o primeiro a ter este discurso de constante provocação com o Benfica, criando uma guerra virtual norte-sul que favoreceu então o FCP. Mas muito provavelmente se hoje fosse vivo, talvez este discurso já não existisse no FCP. O FCP, em termos de comunicação com o exterior parou no tempo. Por isso é um clube com base expressiva de uma região, e não nacional. E eu concordo plenamente. Pinto da Costa, ainda não percebeu isso, e com a idade que tem já não vai a tempo de perceber.

Depois, falou em erros de catedral este fim-de-semana. Irónico que este fim-de-semana, vi o FCP à ganhar 1-0 com um golo em fora-de-jogo, e vi o Sporting a ganhar com um golo de um jogador que há mais de 30m devia estar na rua.

Aliás já tardavam, os jogos baixos e a tentativa de intoxicação pública, numa concertação clara de denegrir aquilo que para todos é evidente: o Benfica foi até agora a melhor equipa no campeonato. Ponto final, parágrafo. Quem disser o contrário não está a ser sério, e não merece ser levado a sério.

Dada esta previsibilidade, espero sinceramente que o Benfica não responda a estas provocações. Não merecem resposta. Os cães (roucos) ladram, e a caravana passa.

Joguem à bola!


PS: Sintomático também, que o único jornal que deu destaque de primeira página a este discurso gasto, foi o "JOGO". Parece que as razões de queixa que os portistas têm do jornal a Bola, são idênticas às que os benfiquistas têm do jornal o Jogo, que é indubitalvelmente o veículo de informação oficial do FCP. Só é pena (para os portistas) ter tiragens tão baixitas. Vá-se lá saber porquê.



Estatísticas do Roubo de Igreja

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A brincar, a brincar...

Engraçada a brincadeira de Zé Diogo Quintela (Gato Fedorento adepto do SCP). Mas é a brincar que muitas vezes se dizem as verdades.




(transcrição do texto)

PREVISÕES PARA 2010

Não há nada melhor para começar o ano do que uma crónica com previsões sobre 2010. Principalmente para mim, que ainda estou um bocadinho ressacado e preciso de escrever algo que não puxe muito pela cabeça. Daí estas previsões: é impossível haver alguma coisa mais fácil de adivinhar do que o previsível futebol português. O leitor não acredita? Então veja.

9 DE JANEIRO
O Correio da Manhã publica uma escuta entre Pinto da Costa e um árbitro. A transcrição contém, entre outras coisas, o seguinte excerto:

Pinto da Costa - Combinamos então que o sr. árbitro vai beneficiar o meu FC do Porto, a troco de 2500 euros.
Árbitro - Portanto, o sr. Pinto da Costa dá-me 2500 euros...
Pinto da Costa - Certo.
Árbitro - ... e eu ajudo o FC do Porto a ganhar o jogo da semana que vem...
Pinto da Costa - É isso.
Árbitro - Recapitulando: vai corromper-me por 2500 euros?
Pinto da Costa - Correcto.
Árbitro - É mesmo corrupção?
Pinto da Costa - Daquela mesmo corrupta.
Árbitro - Fica então combinado, sr. corruptor.
Pinto da Costa - Obrigado, sr. corrompido.

10 DE JANEIRO
O Público e o DN publicam as escutas incriminatórias.

13 DE JANEIRO
Os jornais desportivos referem brevemente as alegadas escutas entre o alegado Pinto da Costa e um alegado árbitro.

23 DE JANEIRO
Comentadores afectos ao FC do Porto dizem que só por maldade é que se pode afirmar que a escuta em que Pinto da Costa oferece dinheiro a um árbitro para ajudar o Porto é uma prova de que Pinto da Costa ofereceu dinheiro a um árbitro para ajudar o Porto. Avançam a hipótese de «2500 euros» ser código para «cumprimentos para a família» e «beneficiar o Porto» código para «não fazer absolutamente nada a favor do Porto».

4 DE FEVEREIRO
O tribunal de Gondomar manda arquivar a escuta entre Pinto da Costa e o árbitro, com o argumento técnico-jurídico de que «não dá jeito nenhum ao Futebol Clube do Porto».



É este o sentimento reinante dos adeptos de futebol que não são do Porto. 

Valentim descaiu-se. Oooopsss

Terei lido bem?

Recentemente Valentim Loureiro, trouxe à baila (dizem durante um jantar de Natal de Liga) um nome que eu desconhecia: um tal juiz-conselheiro Lúcio Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Administrativo desde 2 de Dezembro do ano passado, afirmando - com o Apito Final como pano de fundo - que estava «confiante na vitória da Justiça, agora que Lúcio Barbosa preside ao Supremo Tribunal Administrativo.»

Mas quem é este senhor perguntam vocês? E porquê tanta confiança?

1) Lúcio Barbosa recebeu o Dragão de Ouro 1997 para dirigente do clube.
2) Lúcio Barbosa foi Vice-Presidente do FC Porto, eleito em 2004.
3) Lúcio Barbosa foi umas das testemunhas abonatórias chamadas por Pinto da Costa no caso em que ele tentou processar o Estado por (segundo ele) ter sido detido ilegalmente.
4) Lúcio Barbosa foi presidente do CD da FPF durante muitos anos. Longe de mim pensar que este senhor não terá beneficiado o FCP em muitas e muitas decisões.

Portanto, para que todos fiquem a saber é este personagem que segundo Valentim Loureiro, vai trazer justiça ao Apito Dourado.

A isto chama-se tráfico de influências, meus senhores. E foi isto que se passou nos últimos 20 anos!

Hoje sou eu a transcrever MST

Sobre o que realmente aconteceu no túnel da Luz, estamos todos à espera de conhecer as já tão célebres imagens da longa metragem produzida pela Benfica- TV. Todos, não: meio mundo já as conhece. Eu já as ouvi relatadas por vários benfiquistas e ainda anteontem, aqui na BOLA, podia ler-se um pormenorizado relato dos pretensos acontecimentos no túnel, baseado, ou nas imagens, ou na versão que delas foi contada ao jornalista. «A BOLA sabe...», escrevia-se aqui. A BOLA sabe? E como sabe — viu as imagens, que é suposto terem sido entregues pelo Benfica ao CD da Liga e a mais ninguém? E, se viu, quem lhas mostrou — o Benfica ou o CD? E, se não as viu, como sabe — se não por relato de uma das partes, assumido como verdade indesmentível?


Pena que A BOLA não saiba outras coisas, a começar pelo que significa divulgar peças de acusação, antes mesmo de haver acusação, e de as divulgar em tais termos, que a defesa — (que nem sequer teve ainda acesso a nada, nem sabe qual é a acusação em concreto) — já tem a condenação escrita nas páginas dos jornais. E é pena que a BOLA não saiba também responder a outras questões essenciais: os seguranças têm o direito de estar ali? É habitual nos outros campos, estarem no túnel à saída dos jogos, misturados com os jogadores? Os seguranças do Benfica ficaram então no túnel, caladinhos e quietos, e foram inesperadamente agredidos por uma troupe de jogadores portistas que, já depois de fechados na sua cabina, resolveram sair cá para fora para os agredir? E A BOLA não sabe que, para além das cenas de pugilato do túnel, o essencial desta história é perceber o que faziam ali os seguranças do Benfica e qual foi o seu papel nos acontecimentos?




É engraçado que MST não ficou tão indignado com a localização dos Stewards no túnel de Braga, quando estes agrediram (atenção, não foram agredidos) os jogadores do Benfica. Há uma queixa do Benfica na PSP, que inclusive terá identificado no momento um dos seguranças. Afinal eu na altura também tinha razões mais que suficientes, para estar indignado.

Como é engraçado o facto de MST, não ter ficado preocupado quando a SIC nas mesmíssimas condições que o jornal A Bola, divulgou as imagens do túnel de Braga, onde por acaso não se vê nada. Recordo que Cardozo foi expulso em condições muito estranhas, ficando de fora dois jogos, num jogo onde o Benfica perdeu, e foi prejudicado pela arbitragem.

A mim não me atiram areia para os olhos. Será Ricardo Costa a perseguir o FCP, ou o FCP a perseguir Ricardo Costa?



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As já conhecidas tácticas de Pinto da Costa

Quem me conhece sabe que a única coisa que tenho em comum com Pinto da Costa é a data de aniversário, quanto ao resto acho que ele encarna o espírito do verdadeiro Al Capone português. Posso estar errado, mas é a minha opinião. Por isso estamos apresentados.

Não podia pois deixar passar duas tiradas recentes do "Papa", que depois de muito tempo ausente dos escaparates, começou há um mês para cá, a atirar as suas já conhecidas e para mim gastas larachas, dando alguns sinais exteriores de nervosismo.


"Não sei se em Lisboa há, mas no Porto não há petróleo"

Para além da deselegância habitual, o que é que se estranha mais? A abundância de petróleo em Lisboa ou a falta de petróleo no Porto? Recordista de vendas a nível internacional, o FC Porto descobriu, nos últimos anos, mais petróleo do que os seus rivais em duas ou três décadas. Com vencimentos e prémios faraónicos, inclusive para a sua estrutura directiva, não será legítimo falar-se em petróleo derramado?


"Para o futebol português, ele [Pedroto] significou um ponto de viragem muito importante contra um sistema que estava instalado. Ficaram célebres algumas declarações dele como os "roubos de igreja" quando íamos à Luz. Infelizmente, hoje ainda são actuais. O homem deu um grito para que todo o país notasse que havia um centralismo em Portugal - que continua a ser cada vez maior - e marcou profundamente todos os que lidaram com ele"

A mesma táctica da guerra Norte-Sul que já utiliza há 20 anos, referindo-se a um suposto centralismo, como se para uma equipa de futebol a política tenha um carácter importante, e a insinuação grave de que os roubos de igreja continuam de forma concertada na Luz.

Ou seja, as mesmas tácticas de sempre, que surgem no momento exacto, em que o FCP está em terceiro lugar e a braços com uma situação disciplinar na Liga que pode influenciar o resto da época do seu clube.

Mourinho disse ao Expresso, que Pinto da Costa sabia sempre como e quando falar. E eu concordo inteiramente com ele, mas esqueceu-se de dizer que já todos lhe conhecemos as tácticas, as manhas e os objectivos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Agora percebi o nervosismo de Jesualdo




Na véspera do Benfica-Porto, Ricardo Costa, antigo defesa do Porto, deu uma interessante entrevista ao Correio da Manhã. Serei talvez suspeito, porque me divirto sempre que as conversas de alguém ligado ao Porto são relatadas pelo Correio da Manhã, mas a entrevista era, de facto, curiosa. Entre outras revelações, o actual jogador do Wolfsburgo afirmou que, para o Porto, o clássico da Luz é mais do que um jogo de futebol. É uma luta do Norte contra o Sul, luta essa que o Porto quer ganhar porque — e cito Ricardo Costa — o Porto detesta o Benfica. Ricardo Costa passou sete anos no Porto, e portanto deve saber do que fala. Foi tendo tudo isto em consideração que me pus a pensar nos incidentes do túnel da Luz, no fim do clássico de 20 de Dezembro. A equipa do Porto tinha sido derrotada por uma equipa que detesta. Tinha perdido três pontos contra um adversário muito desfalcado. E, além disso, tinha perdido mais do que um jogo. Tinha acabado de perder uma guerra entre o Norte e o Sul. É uma guerra que só eles sabem que existe, mas ainda assim é uma guerra. Deve ser desagradável perder guerras, mesmo que sejam imaginárias. Seria possível, por isso, que os jogadores portistas tivessem saído do campo irritados e, perto do balneário, agredissem alguém? A resposta é: obviamente, não. Os jogadores portistas, não sendo santos, estão muito perto da santidade. Não passa pela cabeça de ninguém que, mesmo num momento daqueles, possam ser capazes de uma agressão. A não ser, claro, que tenham sido infamemente provocados. Esta é, curiosamente, a única certeza que temos sobre o que se passou no túnel. As imagens ainda não são conhecidas, os testemunhos são escassos, mas uma coisa é certa: os portistas foram provocados. E as provocações terão começado, aliás, antes do jogo: o balneário do Porto não tresandava a enxofre, o que fez com que os visitantes não tivessem de se equipar no acesso ao relvado. Foi, talvez, a primeira provocação. Os portistas sabem que isto não é maneira de receber adversários. A segunda provocação foi o facto de o Benfica não ter dado hipóteses ao tetra-campeão, mesmo fazendo alinhar elementos que ainda não tinham jogado um minuto neste campeonato. Não admira que os jogadores portistas tenham, ao que parece, respondido a estas ignóbeis provocações espancando um ou dois seguranças. Ninguém é de ferro, que diabo. Quando os jogadores do Benfica respondem a provocações em Braga ou em Olhão, são imaturos e pouco profissionais; quando os portistas respondem a hipotéticas provocações na Luz, são gente boa que perdeu justa e humanamente a cabeça.

Em Braga, não sei se o leitor está recordado, também houve problemas no túnel. A comissão disciplinar da Liga analisou o vídeo e, tendo as imagens demonstrado que Cardozo não fez rigorosamente nada, aplicou ao melhor marcador do campeonato a correspondente suspensão de dois jogos. Desta vez, não havia um único jogador, técnico ou dirigente do Benfica no túnel (facto que, inevitavelmente, terá de ser contabilizado como mais uma provocação). Temo, portanto, que toda a equipa do Benfica seja suspensa por dois jogos. Quanto ao Porto, segundo consta, as imagens mostram que jogadores como um Sapunaru ou um Givanildo agrediram um segurança. Ambos estão, aliás, preventivamente suspensos, para obedecer a uma nova lei proposta pelo próprio Porto, que foi aprovada sem o voto favorável do Benfica. Os juristas da Liga, já se sabe, aprovam legislação proposta pelo Porto com a intenção clara de prejudicar o Porto. Bandidos.


Mas o que sucederá, então, se se confirmar a existência de imagens em que jogadores do Porto agridem uma ou mais pessoas? Em princípio, nada. É importante não esquecer que estamos a falar do futebol português. O arquivo que contém as escutas dos rebuçadinhos, da fruta, dos quinhentinhos e a factura da viagem de Calheiros ao Brasil terá de arranjar espaço para mais uma cassete. Para a história ficará apenas o balanço do ano desportivo do Porto, em 2009: um fotógrafo atropelado, um futebolista agredido e um segurança espancado. Que orgulho.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Keirrisson de saída?


Há algum tempo que tinha vontade de escrever sobre Keirrisson. Hoje quando acendi a TV, a Globo estava a transmitir uma reportagem de cerca de uma hora, com entrevista feita ao K9 no Centro de Estágio do Seixal.

No início da época, fiquei radiante quando soube que K9 jogaria no Benfica. Já o conhecia do Palmeiras e Coritiba, e não tinha dúvidas que era um jogador ao nível de Robinho, Diego, Andersson, mas com uma característica rara: matador. Ao ponto, de na altura os brasileiros falarem nele para a Copa do Mundo (a reportagem da Globo fala nisso), e de o Barcelona ter desembolsado 14 milhões de euros por um puto, para ser emprestado. Foi a maior revelação do futebol Brasileiro dos últimos anos.

Keirrisson, veio para a Europa e desapareceu. Caso nítido de falta de adaptação. Está triste, amorfo, a bola queima. Quem o conhece (o meu caso) sabe que o potencial está lá. Cardozo, Saviola e Nuno Gomes, também não ajudam a que ele tenha oportunidades, a critica feroz que tem recebido dos adeptos (já foi assobiado) fazem o resto.

A confiança com que fala na reportagem que vi, demonstra que ele próprio tem noção do seu potencial , e que sabe mais cedo ao mais tarde irá explodir. Se não for no Benfica, será noutro clube. Eu também não tenho dúvidas.

Tenho muita pena do desfecho quase certo (saída do SLB já em Janeiro), porque para mim o Barcelona fez a contratação da década.

Estou a exagerar?!?!? Talvez, mas daqui a uns aninhos falamos.
Lembram-se de Fabiano no FCP? Pois é, vai ser o atacante titular da Canarinha, na Copa do Mundo 2010...

Os reforços de Janeiro do FCP

Foi impressão minha, ou Jesualdo contrariou o que o Papa tinha dito.

PAPA
- O treinador não me pediu reforços para Janeiro. Não precisamos de reforços.

JESUALDO
- O mercado está aberto em Janeiro. Ainda não pedi, o que não quer dizer que não o venha a fazer.

Opps

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Happy New Year 2010

O Footbicancas deseja a todos um próspero ano novo.





Eu como benfiquista, espero que entremos com o pé direito do Saviola ou com o esquerdo do Di María, com o pé-canhão do Cardozo ou com o pé inteligente do Aimar, não importa, entremos da melhor maneira, para que este seja o ano do Benfica!

CD Liga - A perseguição ao FCP

A Liga difundiu ontem algumas estatísticas da actividade da Comissão Disciplinar relativa aos chamados três grandes nas épocas de 2006/07, 2007/08 e 2008/09.

O balanço divulgado acentua o facto de o FC Porto ter sido o clube a que pertencem os jogadores que acumularam menor número de jogos de suspensão em três épocas (25, contra 42 do Sporting e 43 do Benfica) e revela também o menor contributo das multas dos dragões para os cofres da Liga (64 330 euros), se comparados com os 78 245 euros pagos pelo Sporting e os 124 050 euros do Benfica.

Cada um tirará as ilações que entender - de certo de acordo com a sua côr clubística - mas não será por estes números que se prova a propalada perseguição do CD Liga ao FCP, que alguns tanto gostam de fomentar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Festa de Aniversário - Foto Exclusiva!!


Ontem foi dia de aniversário de duas grandes personalidades: Luis Marques e Pinto da Costa. O dia 28 de Dezembro é na verdade um dia que marca o nascimento de grandes nomes da nossa sociedade e é, sem sombra de dúvidas, um dia que traduz o nascimento de pessoas com um “H” bem grande. Ele há coisas do caneco. Quem diria que o Luis Marques comunga com o Pinto da Costa um ponto tão importante, como é a data de nascimento? Ele há coisas fantásticas, não há?

Pois é, neste contexto, o FootBicancas teve acesso à festa de aniversário que ambos partilharam. Conseguiu uma foto que mais ninguém conseguiu, tendo sido tirada a muito custo, pois foi difícil apanhar o Luis Marques de pé, pois como toda a gente sabe, o homem está a recuperar de uma intervenção cirúrgica. Mas a custo lá se conseguiu, e que bem que lhe fica o emblema azul e branco atrás dele. Segundo rezam as histórias, a sua recuperação teve um impulso como nunca foi visto na nossa medicina.

Se o dia 28 de Dezembro podia ser comemorado sem a presença do presidente mais titulado e do Benfiquista mais Portista de Portugal? Podia, mas não era a mesma coisa!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Toques de Cabeça

ATRAVESSAR FRONTEIRAS, COMO O NUNO GOMES

Por JMMA


Completar trinta e três anos tem os seus quês. Não quer dizer que seja pior do que fazer vinte e três, ou melhor do que quarenta e três. Mas trinta e três é diferente. Trinta e três tinha o Nazareno quando voltou as costas a isto. Há um lado perturbador nessa história, sim: retirado tão jovem, Cristo ainda assim foi capaz de deixar atrás de si o palmarés suficiente para que, dois mil anos depois seja considerado por muitos o mais extraordinário dos galácticos. Só que trinta e três anos há vinte séculos eram muito mais anos do que trinta e três anos hoje. E, além disso, o Nazareno pertence a outra modalidade. O Céu o trouxe, o Céu o levou.

Não é por causa de Cristo, não, que trinta e três tem os seus quês – é acima de tudo por causa do futebol. Trinta e três tem o Nuno Gomes e segundo diz hoje a imprensa, está a preparar o adeus. Quer dizer que um jogador entra em fim de carreira aos trinta e três anos. Ou seja, um futebolista que este ano esteja em fim de carreira é um futebolista nascido em 1976, o ano em que o Luis foi inaugurado.

O Eusébio marcava livres de trinta metros, o Futre até fazia fintas à bandeirola de canto, mas o Luis foi o maior craque da escola dele e está para nascer um sucessor digno desse título. Era só futebol: futebol na praia, futebol em casa jogado nos tapetes, futebol no rádio de pilhas colado a dois centímetros da orelha, futebol aos domingos na Praça da Maratona frente ao Estádio Nacional – futebol por todo o lado. E agora uma fronteira.

O Luis sabe da existência dessa fronteira pelo menos desde 1993, quando Rui Águas atinge o ocaso da carreira. Só que nesse remoto ano de 93, para o Luis, um ídolo de 33 anos tinha nascido em 1960, quase na Pré-História. E 2009, em 1993, era muito longe, longe de mais para se poder imaginar.

Sucede que hoje, um futebolista em fim de carreira, tal como o Nuno Gomes, é um futebolista nascido em 1976. Se até determinada idade olhamos para os jogadores como homens, a partir dos trinta e três (ou até antes) damos por nós a olhar para eles como rapazinhos. Ao pé dos nossos trinta e três, o Di Maria, o Fábio Coentrão, até David Luís apesar de grandão – são todos uns putos. O próprio Ronaldo não passa de um criançolas.

Mas nada disso importava por aí além se não fosse um pormenor. É que aos trinta e três anos, temos de nos render a uma evidência sem apelo: nenhum olheiro já nos descobrirá. E assim se aposenta o craque da carreira que não fez.

Proponho uma festa de despedida!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ricardo Araújo Pereira e Miguel Góis


Sim, mas quando é que o Benfica terá um verdadeiro teste?

A paragem no campeonato chega em boa altura. É óptimo que os críticos do Benfica possam ter uns dias para inventar novas razões pelas quais a equipa de Jorge Jesus não os impressiona. No princípio, foram os troféus da pré-época. Cada torneio ganho constituía uma nova vergonha para os benfiquistas. Era uma estupidez andar a ganhar títulos que não valiam nada. O primeiro milho é para os pardais e a pré-época não tem significado, o que veio a confirmar-se: o Benfica, que ganhou tudo, está nas ruas da amargura; o Sporting, que perdeu com toda a gente menos com o Cacém, pratica um futebol vistoso e vencedor. Depois, foram os reforços. Cada novo reforço embaraçava o Benfica. Suplentes do Real Madrid eram uma péssima escolha. Quem jogava bem, como toda a gente sabia, eram os suplentes do Manchester City e do Colón. Mais uma profecia cumprida: Saviola e Javi García deixam muito a desejar, enquanto as exibições de Caicedo e Prediger têm encantado adeptos do futebol em todos os estádios. A seguir, vieram as goleadas. Cada goleada era motivo de gozo. É estúpido golear. Cansa muito. Por exemplo, enquanto o Benfica se afadigou indo a Belém golear por 4-0, o Porto poupou energia empatando com o Belenenses em casa. Ao passo que o Sporting, ajuizadamente, geriu o esforço no empate com o Nacional, o Benfica desperdiçou músculo a golear o mesmo Nacional por 6-1. Estava à vista de todos que o Benfica andava a fazer as coisas mal feitas.


E foi assim que chegámos ao clássico do último domingo. O terceiro classificado da época passada, aliás bastante desfalcado, jogava contra o tetracampeão na máxima força. Finalmente, um verdadeiro teste. Os jogos anteriores, as goleadas, as boas exibições não tinham valor. Agora, sem vários titulares, é que estavam reunidas condições apropriadas para se ver que Benfica era este. E, na minha modesta opinião, viu-se. O jogo era tão fácil para o Porto que Jesualdo Ferreira tinha dito que o empate era um mau resultado. Por isso, apresentou-se na Luz claramente para ganhar, com um meio campo bem ofensivo, que incluía criativos tão fantasistas como um Guarín, um Meireles e um Fernando. Para mim, foi um déja vu. Estava no Estádio da Luz antigo quando Jesualdo Ferreira entrou em campo com os trincos Petit e Andrade para jogar contra o Gondomar. Desta vez, deve ter pensado que o Benfica estava ainda mais fraco que os gondomarenses, de modo que resolveu acrescentar mais um trinco ao jogo, não fosse o diabo tecê-las.

No entanto, Jesualdo não foi o único treinador defensivo da noite. É verdade que o Porto entrou em campo com três trincos, mas devemos ser justos e admitir que o Benfica passou o jogo todo com 3 centrais: Luisão, David Luiz e Falcao. Um exagero de Jorge Jesus. Pinto da Costa bem tinha agradecido aos olheiros do Benfica a contratação do Falcao pelo Porto (no fim do jogo, também fui ao gabinete de prospecção agradecer-lhes) e o rapaz, uma vez que foi descoberto pelos nossos olheiros, deve ter-se sentido na obrigação de jogar por nós.

Por isso, Hulk jogou sozinho no ataque com Rodriguez, o que não lhe fez confusão nenhuma. Na verdade, Hulk joga sempre sozinho, quer esteja acompanhado ou não. O Hulk da banda desenhada é conhecido por se irritar; este é conhecido por irritar os sócios do Porto. Como é evidente, gosto muito mais dos super-poderes deste. Quando, ainda na primeira parte, Hulk fez aquele remate à baliza que saiu pela linha lateral, comecei a fazer uma colecta na bancada onde tenho o cativo. O objectivo é pagarmos a cláusula de rescisão de 100 milhões mas para o obrigar a ficar no Porto. Em breve darei notícias.

Quanto a Rodriguez, observei atentamente o seu jogo e confesso que já não sei se ele não renovou pelo Benfica porque não quis ou porque foi dispensado. Mas, se um dia ele quiser voltar, por mim recebê-lo-ei no clube sem ressentimentos. Desde que seja para jogar na equipa de andebol.

A linha avançada do Porto, Falcao, Hulk e Rodriguez, era, portanto, constituída por um futebolista que jogou na nossa defesa, outro que jogou sozinho, e outro que jogou outra modalidade. Mas atenção: não quero com isto dizer que a equipa do Porto é má. Nada disso. O Porto tem bons jogadores. Estão é todos no Olhanense.

Quando, na final da Taça da Liga, Lucílio Baptista assinalou mal um penalty a favor do Benfica, foi à televisão assumir publicamente o erro. Desta vez, não assinalou um penalty que toda a gente viu – mas não compareceu nos telejornais. É normalíssimo: os erros contra o Benfica não são notícia. Se cada árbitro que erra contra o Benfica fosse ao telejornal, os noticiários duravam três horas.


Ricardo Araújo Pereira, 26 de Dezembro 2009 in Jornal A Bola 



Em jeito de balanço, o ano de 2009 proporcionou-nos momentos futebolísticos inesquecíveis. O que é notável é que, nesta altura, tenho a sensação de que todos eles tiveram lugar durante os 90 minutos do último Benfica-FC Porto. É verdade que haveria muito a dizer sobre este jogo. Mas prometi a mim mesmo que não entraria em polémicas sobre a arbitragem de Lucílio Baptista. Ainda que me faça alguma confusão, por exemplo, os portistas defenderem que o remate de Javi García na direção de Falcão é um comportamento antidesportivo, e o remate de Hulk aos 40 diretamente para os espectadores do Terceiro Anel não o é. Afinal, em que ficamos?
 

De resto, só descortino um momento em que o árbitro prejudicou claramente a equipa azul e branca - foi quando apitou para o fim do jogo, no preciso momento em que o FC Porto se preparava para iniciar a sua primeira jogada com cabeça, tronco e membros. O futebol também é feito destas pequenas infelicidades. Outra fatalidade para FC Porto foi o facto de, numa noite em que a temperatura rondou os 6º, Jesualdo Ferreira ter sido o único a entrar no Estádio da Luz a tremer, mas sem ser de frio.

Dito isto, espero que, no final da partida, Luís Filipe Vieira tenha tido oportunidade de retribuir as simpáticas palavras de Pinto da Costa, aqui há uns meses, e lhe tenha agradecido a contratação de Falcão. Por seu lado, não me espantaria se Pinto da Costa se tivesse, por fim, compenetrado de que esta época dificilmente o FC Porto conseguirá lutar pelo título e que, por isso, tivesse telefonado já ao presidente do Braga a anunciar a intenção de, em janeiro, emprestar ao clube minhoto Bruno Alves, Raul Meireles e Hulk. E não me admiraria nada que o presidente do Braga respondesse que é com imenso prazer que aceita Bruno Alves e Raul Meireles.


Por Miguel Góis, Edição 10 de Dezembro 2009 - Jornal "Record"