segunda-feira, 8 de março de 2010

FCP: 2 - Olhanense: 2


E pronto. Se ainda havia alguém crente a acreditar em algum milagre, o resultado de Sábado atirou por terra todas e quaisquer esperanças.

Aos 20 minutos de jogo perguntei ao meu pai e ao amigo que nos acompanha no T0 do Dragão se o ecrã do estádio estava com algum problema. É que ao olhar para lá via o seguinte resultado: Porto: 0 – Olhanense: 2. Disseram-me que não e eu não tive outro remédio que não acender um cigarro, olhar para as muitas crianças que estavam no Dragão e pensar: “desgraçadas, sem culpa nenhuma a ver uma desgraça desta”.

O jogo começou com um ambiente muito frio. Não, não estou a falar do tempo climatérico. Refiro-me ao silêncio do estádio. Não fossem as tais crianças e aquilo parecia um funeral. Ouviam-se os berros dos jogadores a dizer “estou!” ou “abre na direita” ou ainda os gemidos, sempre que levavam uma porrada. Era, por isso, um silêncio ensurdecedor.

É claro que sofrer dois golos em casa com o Olhanense é mau. Muito mau. Mas pior foi a reacção, pois simplesmente não houve. Os jogadores pareciam estar a jogar uma peladinha, como se nada fosse. Porra lá os gajos. Desgraçado (para além das crianças) do Falcão. Corria, passava e até defendia. É caso para dizer: “estás cá dentro”. Tirando o Micael, tudo o resto…

Mesmo tendo várias oportunidades, na segunda parte, para dar a volta ao resultado (mais duas bolas aos ferros, sendo o Belluschi o top nesta matéria), o que é certo é que não mereceu, atendendo à péssima primeira parte. Aliás, confesso, que até acabei por ficar com pena deste empate. Como o empate e a derrota servia do mesmo (nada!) a partir de certa altura (talvez do 10º cigarro), comecei a torcer pelo Milan. Mesmo sem o Dida, Ronaldinho, Pato, Huntelaar e outros que tais, o facto do Milan ter no banco o Jorge Costa, filho da casa, levou-me a puxar pela equipa vermelha e negra. É isso, pensei eu. O Jorge Costa nem festejou os golos nem nada e por isso merece este meu apoio. Para além disso, o Milan tinha na frente um gajo jeitoso que nem conhecia: Djalmir. Não é que este ex-Famalicão atirou com o Huntelaar e com o Inzaghi para o banco??

Quase no fim, comecei a gritar: Milan, Milan, Milan!!! O pessoal à minha volta olhava para mim com um olhar penoso e até as crianças se riam. Não percebia…

Só já dentro do carro é que ouvi na TSF: “empate caseiro do FCP contra o Olhanense”. Olhanense? Que é isto? Então não empatamos em casa com o Milan? Chiça, estamos mesmo mal!!

Benfica:3 Paços Ferreira:1


Alguém chamou o rolo compressor?

O Universo Futebolístico começa a interiorizar que o Benfica será o Campeão 2009/10. Ainda restam alguns jogos difíceis (Nacional, Braga, Sporting, Porto), mas poucos são aqueles que acreditam que os encarnados deixarão fugir o título.

Isto porque o Benfica se tem exibido a um nível altíssimo. E ontem foi mais uma exibição de luxo, com os encarnados a desperdiçarem uma mão cheia de oportunidades, dominando o jogo em toda a linha.

Com FCP em dificuldades exibicionais e o Braga, embora com um calendário mais acessível, a dar a sensação de começar a vacilar, parece-me que o Benfica só tem um adversário: ele próprio.

Eu diria que o Benfica está a dois jogos do título. Os encarnados vão ao Nacional e recebem o Braga. Se conseguir ganhar estes dois jogos, deixará o Braga definitivamente fora da corrida.

Por isso, eu diria que faltam duas finais.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Toca e Foge

A Comissão Disciplinar da Liga arquivou o processo de inquérito instaurado ao presidente do FC Porto, aquando das declarações deste a pedir a abertura de um processo «Apito Encarnado». Pinto da Costa foi chamado para ser ouvido, mas não concretizou as acusações.

Num discurso inflamado no 10.º aniversário da Casa do FC Porto de Espinho, a 11 de Janeiro passado, o líder do clube portista disse: «Quero pedir ao secretário de Estado que faça realmente um apito encarnado, um apito da cor que quiser, mas que vá apurar o que se está a passar nos campos do futebol português.»

O instrutor do processo determinou então a inquirição de Pinto da Costa, que, apesar de ter comparecido em local e data própria para o efeito, «não concretizou as afirmações publicamente proferidas, pelo que não puderam ser realizadas quaisquer outras diligências probatórias, por manifesta falta de indícios», pode ler-se no acórdão divulgado esta quinta-feira pela Comissão Disciplinar


Oooops.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Imperdível - Manuel José arrasa com SLB e JJ em directo

Manuel José arrasa com a equipa do Benfica e com Jorge Jesus, em directo na SIC Notícias.



Guilherme Aguiar até ficou engasgado.

A Coerência do FCP

Realmente a coerência dos dirigentes do FCP é extraordinária.

O FCP defende não aquilo que é justo, mas sim aquilo que é melhor para si, o que quase sempre é diferente. Nem que para isso tenha de mudar de opinião de ano para ano, em função dos seus "superiores" interesses.


1º A Suspensão Automática era boa, mas agora já não é:

Era boa porque quando Katsouranis lesionou Andersson, o grego ficaria de fora até o processo disciplinar ser concluído. Já não é boa, porque Hulk teve de ficar à espera que o processo disciplinar fosse concluído.

«O FC Porto pede ao Conselho de Justiça (CJ) da FPF que declare a inconstitucionalidade da norma do Regulamento Disciplinar que implicou a suspensão preventiva de Hulk e Sapunaru até à decisão do processo. Só que, curiosamente, essa alteração regulamentar resultou de uma proposta avançada pelos portistas.

A argumentação dos dragões surge na página 42 do recurso das decisões da CD da Liga já interposto no CJ. "Na medida em que esta determina a suspensão preventiva dos arguidos/jogadores por tempo indeterminado devido a violação do direito ao trabalho, como direito de natureza análoga a um direito fundamental", lê-se no documento.

Ora, a suspensão automática aplicada a jogadores expulsos com processo disciplinar sem limite temporal resultou de uma alteração regulamentar proposta pelo próprio FC Porto na AG de 29 de junho de 2009 e que entrou em vigor na presente temporada desportiva.» (notícia completa)


2º As receitas da Champions são justas quando estamos presentes (13 anos). São injustas apenas quando não conseguimos estar presentes:

«Uma fatia maior do dinheiro gerado pela Liga dos Campeões deverá ser atribuído a clubes que não participam na competição. É esta a perspectiva de Fernando Gomes, dirigente do FC Porto presente no encontro da Soccerex, que decorreu hoje em Manchester. "Creio que a forma como as verbas da Champions League são distribuídas tem de ser analisada e alterada, por forma a dar mais dinheiro aos clubes e a equilibrar as competições domésticas", alertou.

"Se os clubes que não estão presentes na Liga dos Campeões receberem mais dinheiro, podem comprar melhores jogadores e aumentar a qualidade da competição. Se não conseguirem fazer isso, a qualidade decresce e o fooso interno aumenta", continua o vice-presidente dos "dragões".» (notícia completa)

Vá-se lá entender...

À Lei da Bola - Pedro Ribeiro

Toques de Cabeça

A VERDADE SOBRE OS NO NAME BOYS
Por JMMA



Ainda os sportinguistas aguardavam com expectativa que o episódio semanal da série “Conta-me Como Foi” lhes explicasse finalmente como conseguiram a vitória com bailinho sobre o Porto; ainda a ‘nação’ portista sofria consternada devido à morte de um adepto de 55 anos, natural de Avintes, ao ver o golão de Miguel Veloso 50 vezes seguidas no YouTube, para verificar se era verdade; eis que, terça-feira, surge a notícia de que os elementos da claque não legalizada do Benfica ‘No Name Boys’ iam começar a ser julgados.

Perante os testemunhos contraditórios sobre a culpabilidade dos arguidos, decidi eu próprio ir ao Campus da Justiça e apurar o que se passou na 5.ª Vara Criminal de Lisboa. Os leitores merecem informação fidedigna, e eu faço tudo pelos meus leitores. Além disso, uma das melhores formas de apreciar a deslumbrante vista do Parque das Nações e do rio Tejo é através do teleférico, e eu queria ir dar uma voltinha turística.

Mas que este prmenor não distraia a atenção do leitor do facto essencial que é este: eu fui à 5ª Vara Criminal de Lisboa para, abnegadamente, relatar a verdade sobre os desacatos imputados aos ‘No Name Boys’. Coisa pouca: associação criminosa, tráfico de droga, posse de armas e ofensa à integridade física, entre outros crimes, "motivados por ódio e intuitos de destruição, sem motivação relevante, contra elementos das claques" do Sporting e do FC Porto. Ao todo apenas um reduzido número de 38 arguidos, segundo o despacho de acusação do DIAP.

E a verdade, pelo que a minha investigação permite concluir, é esta: não houve desacatos nenhuns. As práticas de agressão que a polícia refere, na realidade, não passaram de mero simulacro entre amigos que apenas se divertiam em ambiente de sã camaradagem. Aquilo que à polícia pareceu ser um ‘gang’, na verdade não passava de um grupo de Moscãoteiros bem comportadinhos a brincar ao D’Artacão. E, mesmo tratando-se de uma simulação, nem sequer nunca foi sua intenção molestar o Conde de Rocãoforte nem, de nenhum modo, desrespeitar as leis do Cardeal Recheleão. Andavam apenas, simpaticamente à caça de Pom, o rato da Julieta.

Mas, mesmo a braços com tanta acusação falsa, estes arguidos têm gestos de ternura que nos fazem acreditar na sua inocência. Conto um episódio: no intervalo da sessão, tentei aproximar-me de um ‘No Name’ para lhe por umas questões de moral. Indiferente, o bárbaro fez gala em ignorar-me. Era compreensível, dado o estado de cansaço em que, provavelmente, se encontrava. Tendemos a esquecer-nos de que, dentro de qualquer arguido, estão pessoas como nós. Mas eu tinha isso presente, portanto não constituíu surpresa para mim que, quando eu pontapeei uma das canelas do vândalo, a pessoa que estava lá dentro tivesse sofrido como nós. «Porque é que o D’Artacão está a chorar?», perguntou-me uma velha ali presente. «Deve estar emocionado por a ver. Não se chama Julieta?». E chamava, o raio da velha.

Só espero é que Widimer, o capitão da Guarda do Cardeal, tome bem conta da ocorrência.

terça-feira, 2 de março de 2010

E esta hein?

Hoje, enquanto tomava o pequeno almoço perto do local onde trabalho, li no editorial de um jornal desportivo, um artigo muito curioso.

Este artigo, lembrava a cena de 1997, num célebre jogo Estrela da Amadora–FCP, onde Fernando Mendes agrediu um bombeiro no acesso aos balneários. Segundo se provou, o jogador do FCP mordeu a orelha do soldado da paz, qual Mike Tyson. Confesso que já não me recordava deste caso, mas quando comecei a ler fez-se luz na minha memória.

A Liga na altura, abriu um processo disciplinar ao jogador do FCP. Até agora, nada de novo.

A decisão surgiu 13 meses (!!!!!!) depois, condenando Fernando Mendes a 3 meses de suspensão, tendo por base na decisão, que o Bombeiro era efectivamente um agente desportivo. Até o artigo aplicado, foi o mesmo aplicado a Hulk.

E agora, a grande surpresa. O director executivo da Liga na altura, era Guilherme Aguiar. Aquele que todas as segundas-feiras, reclama num programa desportivo na SIC N a morosidade do processo a Hulk, e que  afirma que a definição de agente desportivo atribuído ao Steward é uma perseguição infame ao FCP.

Como dizia o saudoso Fernando Pessa, “e esta hein?”

A justiça, só é justiça quando decide a nosso favor.

El chico que dejó el Madrid brilla en Lisboa

Excelente artigo no El País, sobre Javi Garcia.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cartoon Footbicancas

Além de marcar muitos golos, Benfica é a melhor defesa da Europa



Muito se tem falado nas goleadas do Glorioso (12.ª da época). Mas ao invés, não se fala do excelente quarteto defensivo que o Benfica este ano apresenta.



É um facto, o Benfica é actualmente a melhor defesa da Europa, um lugar ocupado até há algumas jornadas pelo Sporting de Braga.


Os encarnados sofreram apenas 11 golos em 21 jogos, o que dá uma média de pouco mais de meio golo por partida. Os minhotos mantêm-se entre os dez melhores, no sétimo lugar.


Destaque ainda para a 175ª posição entre 182 clubes, ocupada pelo V. Setúbal. Os sadinos encaixaram 41 golos em 21 jogos, uma média de 1,95 por encontro.


Lista das melhores defesas entre os dez países mais bem classificados no ranking da UEFA:


1. BENFICA (Portugal), 11 golos sofridos/21 jogos, 0,52 média
2. Dínamo Kiev (Ucrânia), 9/17, 0,53
3. CFR Cluj (Roménia), 11/19, 0,58
4. Barcelona (Espanha), 14/24, 0,58
5. PSV Eindhoven (Holanda), 16/25, 0,64
6. Metalist Kharkiv (Ucrânia, 11/17, 0,65
7. SP. BRAGA (Portugal), 14/21, 0,67
8. Ajax (Holanda), 17/25, 0,68
9. Timisoara (Roménia), 13/19, 0,68
10. * Rubin Kazan (Rússia), 21/30, 0,7
(...)
15. SPORTING (PORTUGAL), 16/21, 0,76
26. F.C. PORTO (PORTUGAL), 18/21, 0,86
29. RIO AVE (PORTUGAL), 19/21, 0,90

O melhor ataque é ter uma grande defesa...onde é que eu já ouvi isto?!?

Saudações Gloriosas!

Novo Colunista e Nova Rubrica

Em semana difícil para o FCP, eis que tenho o gosto de apresentar um novo colunista e uma nova rubrica do FootBicancas para animar o clima. Estou certo que o JCR vai contribuir ainda mais para a discussão do Desporto Nacional, sempre na mesma linha do blog, ou seja, sem fanatismos exacerbados e com um forte sentido de respeito pelos outros!

Seja bem vindo JCR e Obrigado!

Pressão Alta

Des...NORTE,
Por JCR

Quão vã e efémera é a memória…

Padeço hoje de uma vontade, que penso comum à generalidade dos adeptos portistas espalhados pelo mundo: invente-se um quarto escuro, onde reine o silêncio, e onde possa dar largas à minha absoluta desilusão, onde possa destilar os “ódios” que sempre me movem pelo ‘Sr. Professor’ e alguns dos seus pupilos, e onde possa também e finalmente, resignado, estender o mais sentido voto de respeito e saudade ao Sr. José Maria Pedroto, por de uma forma tão descuidada ser o seu nome usado, por e para nada.

Não acredito que a grossa fatia dos que hoje servem o MEU clube, dos que hoje vestem a camisola do MEU clube, dos que ao peito ostentam o símbolo do MEU clube, o sintam como eu e a maioria dos portistas.

Não sei nem quero saber, se ainda assim cumprem todos com as suas obrigações profissionais, se o mal está no todo ou na parte.

Sei, isso sim, que quem quer que seja que sirva o MEU clube, independentemente das funções que desempenhe, tem de actuar sempre no mais estrito sentido de respeito pela memória e história do clube, e pelos seus muitos associados, adeptos e simpatizantes.

Quando toda uma estrutura do futebol profissional, se dirige ao mundo que a quiser ouvir em nome do F. C. Porto, não são apenas jogadores, técnicos, dirigentes, médicos, roupeiros e demais, que falam.

Quando alguns se auguram dizer “somos Porto”, aconselha o mais elementar bom senso que se lhes diga o que é ser PORTO, o quão grandes foram e são aqueles que fizeram grande o PORTO, o quanto o PORTO se não resume às quatro paredes e rostos sorumbáticos que ali se expunham, e o quanto tais palavras os comprometem.

Mas será que se lhes pode exigir tanto, se o tanto que lhes vai sendo pedido é tão pouco…

Assim se vai fazendo vã e efémera a memória.

Inventem-se pois novos dias para o MEU clube.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

SCP: 3 - FCP: 0


Foi uma despedida do título triste, infeliz e vergonhosa.

Triste pela exibição de toda a equipa, sem chama, amorfa e muito apática. Na verdade, o jogo de hoje esteve a léguas daquilo que o Porto tinha evidenciado nos últimos tempos e não consigo, sinceramente, explicar o porquê. Não consigo porque nada o fazia prever, pois o Porto chegava a Alvalade em alta, depois de uma vitória contundente frente ao Braga, mas inesperadamente os jogadores andaram os 90' com a cabeça baixa. Em suma, foi triste, muito triste!

Infeliz, porque nada correu bem. Desde os momentos dos golos, aos próprios golos, à forma como o Helton sofreu os primeiros dois (que na minha opinião podia ter feito mais), à lesão do Micael, enfim, a tudo.

Finalmente, foi uma derrota vergonhosa porque foi. Vergonhosa a falta de empenho, vergonhosa a forma como o Bruno Alves se desligou do Liedson no terceiro golo, vergonhoso os três secos, vergonhoso o facto do Porto não ter suplentes à altura de quem sai e vergonhoso foi também a forma como o Porto practicamente se despediu do título a tantas jornadas do fim. Não estou habituado a isto, essa é que é essa.

Para além de tudo que o Porto fez de mal, há que enaltecer também o trabalho do Sporting. O Sporting fez realmente um grande jogo, conseguindo fazer do Porto uma equipa de meio da tabela. Até o Grimi jogou bem. Chiça...

Bom, posto isto, vou ver o campeonato Espanhol e experimentar a sensação de outros em anos passados! :)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Leixões:0 Benfica:4


Alguém chamou o rolo compressor? Que grande exibição do Benfica. Uma das melhores desta época, num campo onde Braga e FCP tinham perdido pontos. Houve momentos de futebol de pura classe, e obviamente terminei o jogo rendido a mais uma goleada. Décima segunda, por sinal. Impressionante.

E quando alguns começavam a agoirar que a equipa do Benfica estava cansada e iria claudicar no último terço do campeonato, o Benfica resolve os últimos dois jogos com 4-0. Mas o que mais impressiona é que estes jogos, um disputado sob granizo intenso e outro num dia de temporal, podiam ter terminado em 5, 6 ou 7 a zero.

Este resultado constitui assim, mais um contratempo dos profetas que anunciaram a propalada crise de exibições e resultados do Benfica. O resultado foi bom mas a exibição foi ainda mais convincente.

No Estádio di Mar(ia), houve um jogador que sobressaiu dos demais, fazendo juz ao interesse de meia Europa. Foi talvez a melhor exibição do argentino ao serviço do Benfica.. Avizinha-se um leilão no final da época, com largos benefícios financeiros para o clube da Luz.

Mas houve outro jogador, que desde que chegou em Dezembro, tinha muita curiosidade em ver jogar, e que de maneira nenhuma defraudou as minhas expectativas: Airton. Não engana, parece um clone de Javi Garcia. Forte, boa capacidade de passe, e tacticamente evoluído. A posição 6, estará assegurada para as próximas épocas.

Uma bicada (da águia) ao Jesualdo, que após o jogo de Leixões atirou-se doentiamente ao árbitro, justificando o empate com um penalti não assinalado a Ruben Micael. Ficou provado através do jogo do Benfica, que o FCP não ganhou porque não conseguiu concretizar as inúmeras oportunidades de golo que teve à sua disposição. Sim, porque o Benfica também teve um golo escandalosamente anulado.

Faltam 9 jogos, e cheira a Benfica campeão.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

UMA INSPIRAÇÃO EXTRA


Já por várias vezes me insurgi com o jornal Record – por exemplo. Um jornal do mesmo grupo também gosta de mandar uns bitaites, sempre com uma intenção: denegrir a imagem do FCP.

Nem de propósito, o JMMA fala, no post anterior, no respeito que o Figo merecia em todo o processo da “face oculta”. Pois bem, eu digo o mesmo em relação ao Porto. O Porto é o clube com mais títulos internacionais (de futebol falando) e portanto, aquele que mais e melhor tem representado Portugal. Julgo que isto é claro para todos. Por isso, e usando um termo do Alberto João Jardim, estes “canalhinhas” deviam ter mais respeito! Até a foto do Pinto da Costa colocam em primeira página.

São primeiras páginas como esta que fazem os acéfalos acreditar nestes mitos, denegrindo a imagem do Porto. A PJ já veio dizer que o Porto não está directamente ligado ao processo, mas sim um antigo empresário de futebol.

Mas estas notícias “trabalhadas” tem uma outra face da moeda. Estas primeiras páginas inspiram a equipa. Ontem, quando recebi esta notícia por SMS, disse ao remetente: “fixe – até deviam prender o Pinto da Costa esta semana. Assim, alguém teria que padecer novamente”. E é exactamente isto que normalmente acontece no Porto.

Sempre que há uma inspiração como esta ou como uma decisão do CD da liga, o Porto, normalmente, reage como reagiu frente ao Braga, sendo que desta vez a vítima chamar-se-ia Sporting.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Toques de Cabeça

O PAÍS QUE TEMOS
Por JMMA

 


Luís Figo não teve muita sorte com o país em que nasceu. Ou melhor, com os políticos e o jornalismo do país em que nasceu. Mais de vinte anos de carreira - e que extraordinária carreira -, justificariam maior consideração e respeito do que aqueles que está a ter.

Ainda em Alvalade, mal apareceu a fazer a posição de médio pelo Sporting, deu logo para entender que estava ali um jovem craque. Depois, ao longo dos anos, sucederam-se Barcelona, Madrid, Milão. Seguindo os jogos pela TV, Portugal rogou às postestades celestes que o protegessem do mau olhado, de um simples sopro que perturbasse a sua arte. Talvez por efeito das nossas petições e do crédito que temos no céu, ainda sobrou Figo para representar 127 vezes a Selecção, fazendo dele o actual recordista de internacionalizações pela Selecção das Quinas.

Ao contrário do que alguns pensam, tirando o futebol, os portugueses lá fora não têm muito de que se orgulhar. Temos o fado, a Torre de Belém e o bacalhau com todos, fracos ornamentos para quem pretende engalanar-se na Europa e no Mundo com méritos e glórias que não tem. Raramente se encontram em Londres, Paris, Bruxelas ou Nova Iorque vestígios de uma marca portuguesa numa loja, num supermercado ou à mesa dum restaurante. E no entanto, os vinhos do Alentejo, o azeite de Moura e os têxteis do Ave não ficam nada a dever aos estrangeiros. Mas em vez de esperarmos que NS de Fátima faça o milagre de nos tornarmos conhecidos, bem podíamos aproveitar o êxito dos nossos futebolistas para promover «lá fora» os nossos produtos.

Por essa razão – que mais não seja, por essa razão - é que me custa muito pereceber o racional do presente enredo, em plena praça pública, em torno da honorabilidade de Figo. À partida, as suspeitas são de crimes de corrupção praticados por terceiros e, tanto quanto nos é dado a perceber, as investigações visam analisar a relação entre o apoio eleitoral de Luís Figo a Sócrates e os contratos que o ex-futebolista e uma empresa a que está ligado (a Football Dream Factory) estabeleceram com a Tagusparque.

Por aí, nada a dizer; a não ser desejar que se investigue o que houver a investigar, que se julgue o que houver a julgar e que se puna quem tiver de ser punido. Mas, por Zeus!, até que isso seja feito, que a voracidade politiqueira e a sofreguidão dos ‘media’ se moderem, tenham um módico de sensatez, e pelo menos abstenham-se de dilapidar esse património de interesse nacional que é a imagem pública de Figo. Pelo menos isso! E não é por Figo, não; é por nós, pelos nossos mais que evidentes interesses materiais.

Se ao menos o alarido garantisse que cada um – polícias e tribunais - fizesse o trabalho que lhe compete. Mas nem isso. Certo é que este processo há-de morrer como morreram os outros. É só os golpistas fazerem chegar à Felícia, por baixo da mesa, mais umas escutas ou uns documentos escaldantes. E tudo ficará na mesma. Só que sem Figo.

Benfica:4 Hertha:0

Dar realce às 30.000 pessoas que se deslocaram ao Estádio da Luz, às 17h num dia de semana e a chover granizo.

E dizer que a vitória de ontem sobre o Hertha Berlim permitiu ao Benfica tornar-se o 10º clube a atingir as 150 vitórias em jogos europeus. Mas não é tudo, a goleada frente aos alemães colocou ainda a equipa de Jorge Jesus a "apenas" 4 golos de igualar a época mais concretizadora de sempre nas provas externas.

Com a qualificação para os oitavos-de-final, o Benfica tornou-se numa das equipas que mais encaixou nesta prova: 1,9 milhões de euros.

Registo também duas frases de JJ na conferência de impressa.
- "a equipa está fresquinha que nem uma Alface"
- "o Benfica é a equipa de longe, que joga melhor futebol em Portugal"

Palavras de confiança, na abordagem ao resto da época, corroboradas pelo técnico do Hertha: "fomos eliminados por uma equipa de grande classe".

O QUE FALTA?


Nada mais, nada menos do que 10 jogos para o final do campeonato. O Porto está numa situação complicada, mas se os jogadores não desistem, eu também não desistirei.

Quem terá o campeonato mais fácil até ao final? Não sei! Não sei, pois o futebol não é linear e um jogo que parece fácil, é muitas das vezes difícil e o contrário também acontece. Por isso, espero que esta regra se aplique já na próxima jornada do Porto, pois o Porto tem um dos jogos mais difíceis até final do presente campeonato. Em caso de vitória, as minhas esperanças aumentam de uma forma exponencial. Isto porque, depois deste jogo, só a jornada 29 (penúltima) se afigura como muito difícil. A recepção ao Benfica poderá ser decisiva, caso não haja mais surpresas tipo Leixões. Assim sendo, e sabendo que ganhar 10 jogos consecutivos não é normal (muito menos no Porto deste ano), não será de todo impossível.

Quanto ao Benfica, terá dificuldades na 23ª jornada (Nacional fora e já com o Machadês recuperado…), na 24ª jornada (Braga em casa), na 26ª jornada (Sporting em casa) e finalmente na 29ª jornada, quando visitará o túnel Portista.

O Braga, passará as passas do Algarve nas 24ª, 25ª (meto esta no bolo, uma vez que se trata de um derby e os derbys são sempre imprevisíveis) e 30ª jornada. Ou seja, o Braga terá dificuldades na visita à luz, na recepção do Guimarães, pelos motivos já expostos e finalmente na visita à Madeira da última jornada.

Ora, caso esta minha teoria tenha alguma lógica, chega-se à conclusão que o Benfica terá a tarefa mais difícil dos três que neste momento lutam pelo título. Repito, o futebol não é linear, mas olhando para o calendário, direi que as minhas esperanças saíram reforçadas. Para além do calendário, lembro-me ainda da excelente análise que o Luis Marques fez ao campeonato do ano passado, sendo que o Porto teve uma ponta final de alto nível. Olhando para o crescendo exibicional do Porto, curiosamente depois da chegada do Rúben Micael, a repetição da ponta final do ano passado não está colocada de parte.

A ver vamos, esperando que as 10 jornadas que faltam primam pela verdade desportiva!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O maior engano do Homem, é pensar que a História não se pode repetir

1990/1991 se não foi a época mais polémica do futebol português, terá andado perto. O Verão voltou a ser quente, com o Benfica a roubar Rui Águas ao FC Porto, vingando-se, dois anos depois, do assalto ao forte encarnado movido por Pinto da Costa e seus pares.

O mote para a época estava dado. O Sporting, de Marinho Peres, entra no campeonato com a força toda e rapidamente se isola no comando. No entanto, Novembro chegou - trazendo também o escandalo de corrupção na arbitragem relacionado com Francisco Silva - e o Sporting começou a escorregar, perdendo também os confrontos com FC Porto e Benfica, começando a ficar irremediavelmente afastado do título, com a aposta em António Dominguez, que veio a suceder a Marinho, a revelar-se mais um disparate de Sousa Cintra.

Reinaldo Teles, a meio da temporada, rompeu o seu tradicional silêncio para "atacar" Rui Águas, que confessava, entretanto, a sua satisfação pelo regresso à Luz: "Se não fosse o FC Porto, o Rui Águas ainda devia estar a ganhar 300 contos por mês. Agrada-me a transformação que sofreu. Agora até é uma pessoa extrovertida. Mas compreendemos. Por meio milhão de contos não pode limitar-se a marcar golos.. tem que dizer algo".

As deslocações fora do FC Porto estavam a ser complicadas, com os jogos a serem marcados por casos atrás de casos e a violência a atingir momentos bem delicados, sobretudo em Faro e em Guimarães, onde Pinto da Costa e Reinaldo Teles terão mesmo sido agredidos, com o presidente portista a levar com uma pedrada na cabeça. A responsabilidade, segundo os dirigentes do FC Porto, era de Pimenta Machado. Reinaldo Teles deu a resposta: "Fala-se que nós andamos de pistolas, metralhadoras, guarda costas, mas, na verdade, o nosso presidente é que tem sido agredido, sem quaisquer hipóteses de defesa. De duas uma: ou os capangas são imaginação de alguns D.Quixotes do nosso futebol ou precisamos de renovar o pessoal devido à sua ineficácia".

No Benfica, que se mantinha a par do FC Porto, o ambiente interno também não era o melhor - Diamantino, o "capitão" dispensado, lançava duras críticas a Gaspar Ramos, acusando o chefe do departamento de futebol do Benfica de "incompetência", e de uma política de "falsidade" e "mentiras", deixando também uma mensagem a Valdo: "Eu nunca deixei de jogar, mesmo ganhando 300 contos por mês. Nunca fui jogador de pseudo-lesões". Valdo, que queria ter saído para a Fiorentina, no defeso anterior, não gostou do que ouviu e respondeu: "A Fiorentina oferecia-me muito dinheiro e claro que fiquei perturbado, pois a minha independência financeira foi posta em causa. Mas nunca fui grevista, nem inventei lesões. Fiz muito sacrificios pelo Benfica. Deixem-me em paz, porque o que eu quero é jogar à bola!".

No FC Porto, no entanto, o início do ano de 1991 também trouxe casos. Madjer queria sair para o Valência, mas Pinto da Costa não deixou, com o argelino a entrar em guerra com Artur Jorge, que, por vezes, deixava-o de fora dos convocados: "É pena não ser o Pinto da Costa a fazer a equipa. Dá-me vontade de rir, quando vejo que nem no banco tenho lugar". Artur Jorge ripostou: "Quem teima em jogar como quer e não como eu quero - não joga!".

E, no final de Janeiro, estoura a grande bomba: por decisão da direcção do FC Porto, Geraldão é afastado do plantel. Tudo porque Pinto da Costa descobriu que o central brasileiro, que marcara vários golos decisivos de livre, assinara um pré contrato com o Benfica, pois Gaspar Ramos mantinha vivo o sonho de construção de um Benfica Europeu, com Geraldão e Ricardo no centro da defesa. Mês e meio passou, e o FC Porto perde a liderança para o clube da Luz, com Pinto da Costa preocupado, a fazer regressar Geraldão do Brasil, para voltar a dar coesão defensiva ao conjunto portista.

Chegava-se ao final de Abril, e o FC Porto, em véspera de receber o Benfica, com um ponto de atraso, vai vencer a Alvalade, com a fantástica chapelada de Jorge Couto a Ivkovic. Sousa Cintra, no final do jogo, queixava-se da arbitagem de Bento Marques, que, em abono da verdade, prejudicou os dois clubes. O jogo do título vinha a seguir.

Na véspera do FC Porto-Benfica, Artur Jorge lança o veneno: "Tendo em conta o passado recente e menos recente do futebol português, Carlos Valente não deveria ter sido nomeado para este jogo". Os seus adjuntos também disparam balas - Hernâni Gonçalves falava de arbitragem: "O Benfica quer manobrar a arbitragem, quer pressionar os árbitros", enquanto Octávio Machado desbrava fantasmas: "O Benfica que não se preocupe com a água, pois já contratamos uma empresa de aspiradores para sugar a relva e, com um bocadinho de jeito, ainda pedimos emprestado um tapete de veludo vermelho ao Papa". Eriksson manteve-se indiferente e antes de a equipa partir de comboio em direcção ao Porto, disse aos adeptos benfiquistas que foram despedir-se da equipa a Santa Apolónia aquilo que eles queriam ouvir: "Adeus, até ao nosso regresso, como campeões".

A chegada do Benfica às Antas foi marcada por um ambiente de perfeito terror. A recepção ao autocarro encarnado foi feita com pedras e mais pedras, dando razão ao cartaz exibido na superior sul: "Ides sofrer como cães". Os jogadores encarnados viram-se obrigados a equipar no corredor, onde estavam vários elementos da organização portista, já que os balneários encarnados tinham sido impregnados de um cheiro nauseabundo, impedindo Eriksson de fazer a habitual palestra antes dos jogos. Mas, no campo, o Benfica venceu por 2-0, com Svennis a fazer sair do banco César Brito, que apontou os dois golos da última vitória encarnada nas Antas até hoje. O título, com a vantagem de 3 pontos, ficava mais perto. Só que este FC Porto-Benfica não morreu aqui, pois a arbitragem de Carlos Valente veio a dar muito que falar, assim como histórias em volta dos seus fiscais de linha.

No final do jogo, Artur Jorge foi irónico com Eriksson: "O Eriksson hoje é óptimo e eu não valho nada". Eriksson radiante, preferiu não falar, deixando as palavras para Toni: "Foi uma vitória justa, mas feliz. O campeonato, no entanto, ainda não está ganho". A saída de Carlos Valente dos balneários foi marcada pelo dramatismo. Só muito a custo a polícia conseguiu retira-lo do estádio, no meio de insultos e algumas agressões, que o deixaram a cambalear. Valente, no entanto, negou tudo, dizendo apenas que "Vou dormir bem, com a consciência tranquila". Pinto da Costa, no entanto, não tardou em ripostar: "Carlos Valente teve um comportamente provocatório, chegando a insultar o banco do FC Porto", apoiado por Reinaldo Teles que acrescentou: "Ele teve um comportamento anormal e despropositado, chegando mesmo a perguntar-me se eu era o delegado ao jogo". Hernâni Gonçalves, em nome da equipa técnica, também largou os seus tradicionais 'bitaites': "O cerne da questão era o espectro de após o investimento de milhões, o Benfica não ganhar nada numa época, depois de outra sem nada ter ganho. Era a catastrofe, o 'hara-kiri' de uma direcção. Agora entendo porque os benfiquistas proclamavam aos quatro ventos que o Campeonato não chegaria ao fim se não fossem campeões".

À chegada a Lisboa, João Santos atacou Pinto da Costa e seus pares: "Houve cenas incriveis nas Antas, de intimidação à equipa e apoiantes. Os portistas criaram um clima de pânico, lançando mesmo o boato de que o árbitro teria almoçado connosco. Não deixaram os nossos jogadores equiparem-se no balneário, encharcaram as faixas laterais, e no final ainda aquelas cenas de pancadaria, com os nossos dirigentes a serem agredidos. Tudo isto porque os dirigentes do FC Porto ficaram em pânico, ao sentirem o campeonato perdido". E destas agressões, sairia do anonimato o nome do Guarda Abel, que, pouco tempo depois, numa tomada de posse da direcção do Salgueiros, ameaçou o presidente encarnado: "Aqui ou em Lisboa, hei-de mata-lo". Pinto da Costa, apercebendo-se da situação delicada, demoveu-o de tal atitude. João Santos, a salvo, traçou o perfil do Guarda Abel: "Esse senhor, um verdadeiro arruaceiro, protagonizou desacatos e desmandos, nas instalações das Antas, antes do FC Porto-Benfica. Não sei se este individuo tem protecção de alguém, mas o que é certo é que impediu os nossos dirigentes de acederem à cabina do Benfica no final do jogo, dizendo que estava a cumprir ordens de Pinto da Costa", acusando ainda a policia fardada, onde Abel estaria incluido, de ter pontapeado dirigentes encarnados dentro da zona protegida.

O Benfica conseguia o seu penúltimo título nacional, a duas jornadas do fim. No entanto, Artur Jorge vingar-se-ia a frio: partiu para o Paris Saint Germain, destruindo a equipa encarnada, levando consigo Ricardo Gomes, Valdo e... Geraldão. O Benfica europeu de Jorge de Brito e Gaspar Ramos morria à partida.

Rui Malheiro