quarta-feira, 31 de março de 2010

Entrevista de Ricardo Costa

Goste-se ou não da personagem, Ricardo Costa é brilhante e ontem deu espectáculo na SIC Notícias. Foi a goleada da noite.

Das três entrevistas, foi sem dúvida a que mais gostei de ver. Teve o(a) melhor entrevistador(a), e o melhor entrevistado.

A primeira grande revelação, desmentindo o que Pinto da Costa poucos minutos antes tinha insinuado na RTP1, foi que Hermínio Loureiro se tinha demitido revoltado com o CJ da FPF, fazendo inclusivamente pressão para que Ricardo Costa continuasse, quando este lhe prestou solidariedade na decisão.

Depois Ricardo Costa explicou de forma clara e consistente a decisão do CD Liga de enquadrar o Stewards na categoria de Agentes Desportivos. E foi um esclarecimento cabal.

Só quem tiver de má fé, ou estiver a analisar esta questão de forma tendenciosa, pode falar em parcialidade na decisão. Algo que o CJ da FPF, a meu ver já terá alguma dificuldade em provar.

Na segunda-feira ouvi Dias Ferreira, sustentar uma tese que do meu ponto de vista faz toda a lógica. Segundo ele, o CJ da FPF em face da alegada omissão dos regulamentos (algo que Ricardo Costa provou ontem que não é tanto assim), juridicamente só tinha duas alternativas. Ou dava razão ao CD da Liga, ou então absolvia pura e simplesmente Hulk e Sapunaru, uma vez que os stewards não estão contemplados como sujeitos jurídicos nos regulamentos da competição.

Dias Ferreira diz mesmo, que a última coisa que o CJ podia fazer foi o que acabou por fazer. Enquadrar os stewards na categoria de público, quando uma das suas funções é controlar o próprio público, sendo talvez os únicos elementos que estão no recinto desportivo que não podem ver o jogo, estando inclusivamente até de costas para o mesmo.

Depois de ouvir muitas opiniões nos últimos tempos, fico com a ideia que o CJ por parcialidade (notícia do CM) ou pura simplesmente falta de coragem, cedendo aos vícios e poderes antigos instalados no futebol português, colocou os pés pelas maus e as maus pelos pés e fê-lo de forma premeditada.

Não é preciso ser especialista para perceber que não há sustentação jurídica, na tese de considerar o steward um elemento do público. Se não há, porque que é que o CJ o fez, sabendo até de antemão que iria contraria uma decisão da 1ª instância?

Já tive oportunidade de escrever aqui, e acabo este post da mesma forma. O que mais me revolta, é que o nosso futebol continue a maltratar as pessoas sérias e profissionalmente isentas, expurgado-as do nosso futebol, e alimente os eternos viciados do Sistema, que mais não fazem que pagar favores aos Padrinhos.

E depois disto tudo, ainda ter de ouvir Pinto da Costa a dizer que vai pedir uma indemenização à Liga, só dá mesmo vontade de rir, ou melhor de chorar.

Entrevista de Pinto da Costa

Sou muitas vezes aqui acusado de ter uma obsessão por Pinto da Costa. Acusação essa que não nego. Mas ficou provado nesta entrevista que Pinto da Costa não tem uma obsessão menor que a minha, relativamente ao Benfica. Dos 40 minutos de entrevista, arrisco dizer que 2/3 foram a falar do Benfica e do seu Presidente.

O jornal Record traz hoje uma estatística reveladora disto mesmo. Pinto da Costa abriu a boca para dizer “Benfica”, não menos que 21 vezes. Em 40 minutos é obra.

Mas vamos aos meus destaques:
  • Pinto da Costa foi incapaz de reconhecer mérito desportivo à equipa do Benfica. Hoje é unânime na opinião pública e até nos adeptos “notáveis” das equipas adversárias incluindo os do Porto (ex: Rui Moreira, Miguel Serrão), que se existe ano em que o Benfica tem mérito dentro de campo, é este.

    Embora não seja novidade, Pinto da Costa demonstra facciosismo e mau perder. Ele próprio se ridiculariza e descredibiliza a defender estas teses.
  • A explicação para a má época do FCP, está na lesão de Rodriguez e de Varela, e pouco mais se ouviu. As contratações de Alvaro, Micael, Varela e Falcão saltaram da boca de Pinto da Costa, mas esqueceu-se de falar em Bolatti, Vareli, Prediguer e Addy.
  • Depois vem com a história de que se o Hulk estivesse a jogar, o FCP estaria à frente do campeonato, chegando ao ridículo (uma vez mais) de comparar Hulk, a Messi e a Ronaldo. Tão só os últimos dois melhores jogadores do mundo.

    Para mim o efeito Hulk apenas mascara os problemas colectivos, mas nunca os resolveria, como ficou demonstrado aliás, no primeiro terço do campeonato. A novela em torno de Hulk está a ser aproveitada para desviar as atenções dos próprios erros. E garantir que com o brasileiro sempre disponível a classificação seria outra é mera especulação. Em Braga e na Luz Hulk jogou e o FCP perdeu, e perdeu bem!
  • Pinto da Costa diz que não apoia nenhum candidato à Presidência da Liga.

    E nós somos todos anjinhos. Fernando Gomes, dirigente histórico e unanimemente reconhecido pela família portista sai da estrutura do FCP há três meses atrás sem que ninguém perceba as razões. Passados 2 meses revela intenções de se candidatar à Liga, e tudo isto é feito à revelia do Presidente do FCP? Todos já perceberam a estratégia, por muito que Pinto Costa a tente dissimular.
  • O discurso de Pinto da Costa é sempre muito baseado na picardia baixa. Nos argumentos de café, como eu lhes costumo chamar, Pinto da Costa dá baile.

    Faz acusações constantes na base do “amigo do amigo meu que me disse”, chama analfabeto a LFV, diz que o Benfica só ganha nos túneis, que recebe dinheiro indevido da CML, como se o principal beneficiado dos apoios das Câmaras Municipais aquando a construção dos novos estádios, não tivesse sido o FCP (o processo ainda decorre no tribunal), diz que o Benfica ganha um campeonato faz uma grande festa.

    Enfim, é o estilo habitual de alguém muito pouco polido, e já agora com muitos poucos princípios de vida.
Nas questões mais incómodas Pinto da Costa fugiu e não respondeu. A suspensão preventiva proposta pelos dragões e incluída nos regulamentos da Liga, o interesse do FCP em Jorge Jesus, que levou a uma hesitação evidente na resposta, no comentário às escutas do “café com leite” que ficou sem resposta, no famigerado apito encarnado que Pinto da Costa quando foi chamado pelo instrutor do processo entretanto aberto, não disse uma palavra, etc, etc.

A grande revelação foi mesmo o anúncio da recandidatura. Tão imprevisível, como a sucessão Fidel Castro a Fidel Castro, sempre que hajam eleições em Cuba... democraticamente falando.

Em jeito de balanço, estava à espera de uma entrevista bombástica, com revelações e argumentos novos, mas tudo não passou de alguma pólvora seca.

Entrevista de LFV

Confesso que fiquei surpreendido com a forma serena com que Miguel Sousa Tavares abordou esta entrevista. Das duas uma, ou Balsemão “amestrou o bicho”, ou a sua condição de jornalista competente sobrepôs-se ao peso na consciência, da condição primária com que defende o FCP. Houve momentos até, que parecia que estavam os dois a falar no café da esquina.

Por isso não foi propriamente difícil o "exame" que Miguel Sousa Tavares impôs a Luís Filipe Vieira.

Deixo aqui algumas notas que me mereceram maior destaque:

  • ficou claro que Pinto da Costa queria ver Jorge Jesus à frente da equipa do FCP, e que o Benfica se antecipou ao presidente dos azuis e brancos. E em boa hora o fez;
  • à semelhança de Cristian Rodriguez, o FCP duplicou(!!!) o salário que o Benfica oferecia a Falcão, para o levar para o Dragão;
  • o Benfica pretende triplicar a receita actual da venda dos direitos televisivos. E a Olivedesportos vai ter de se pôr a “fancos” se quiser continuar a ter o SLB nos seus ecrãs;
  • apraz-me também registar que é clara a estratégia do Modelo de Negócio do Benfica. As contas de merceeiro de LFV provam que a renegociação dos direitos televisivos a somar a um Benfica nos oitavos na Champions, é condição suficiente para o SLB não vender jogadores;
  • LFV soube ainda fazer uma diferenciação muito importante, entre o FC Porto e o seu Presidente, Pinto da Costa, que LFV acusou de traidor.

Há no entanto uma coisa que não gostei de ouvir da boca de LFV, ainda que porventura correspondesse à verdade dos factos. LFV puxou a si o mérito da escolha de Jorge Jesus, e sacudiu a “água do capote” quando disse que a escolha de Quique tinha sido de Rui Costa.

Também não gostei de ouvir o Presidente do Benfica dizer que “Rui Costa está em fase de aprendizagem e que há decisões que só sabe à posteriori”. Não sei se terá sido deslize, algo de que LFV é pródigo, mas ainda que a ser verdade, era perfeitamente evitável.

No global, embora estas entrevistas em ciclos de vitórias se tornem bastante mais facilitadas, nota positiva para LFV.

Carvalhal de saída

Sporting confirma à CMVM a saída de Carvalhal no final da época. Mas ele tinha entrado?


terça-feira, 30 de março de 2010

Lavagem de roupa suja hoje na TV

Hoje pelas 21h, vamos ter lavagem de roupa suja futebolística a bem das audiências televisivas. Judite de Sousa, adepta confessa do FCP entrevista o seu Presidente, e MST, adepto da ala radical do FCP entrevista Luís Filipe Vieira.

A minha primeira reacção quando soube que seria o “insuspeito” MST a entrevistar o Presidente do Benfica, foi de alguma indignação. Pensei eu, como era possível LFV ter aceite ser entrevistado por uma pessoa que para além de mal educada (veja-se o caso recente de Gonçalo Amaral) e convencida, ainda ofende todos os benfiquistas semana após semana, nas suas crónicas de terça-feira no jornal A Bola.

Depois de amadurecer melhor ideia, entendi que talvez seja uma boa oportunidade para o presidente encarnado, ridicularizar o fundamentalismo do jornalista que tudo é, menos isento.

Destaco porém a coragem de LFV. No plano oposto, é como se Pinto da Costa fosse entrevistado por Leonor Pinhão. Parafraseando Jorge Jesus, só na Playstation.



PS: Acabo de receber a notícia que a TVI não quer ficar atrás nas audiências, e está a prepara uma entrevista a Jesualdo Ferreira realizada por… Pôncio Monteiro.

Benfica é notícia no Wall Street Journal

O "The Wall Street Journal" publicou ontem um artigo sobre o rendimento desportivo do Benfica na presente época. A notícia, publicada no site do jornal, acabou por ser mesmo a mais lida na parte europeia do conceituado jornal económico norte-americano.

A aposta feita nos internacionais argentinos Saviola, Aimar e Di María é apontado como um dos segredos do sucesso do emblema da águia. Os mais de 200 mil sócios do clube foi outro dos pontos em foco na publicação.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Caso Hulk - Expliquem-me como se fosse muito burro

Desculpem voltar à carga com este assunto. Mas nos últimos dias não me tem saído da cabeça, o despropósito da decisão do CJ da FPF.

A esta hora, o médio do Sporting de Braga, Vandinho, deve estar mais do que arrependido por ter tentado agredir o treinador adjunto de Jorge Jesus, do Benfica. A tentativa de agressão de Vandinho custou-lhe uma suspensão por três meses, mas se o jogador brasileiro tivesse descarregado a sua fúria num steward, num bombeiro ou até num qualquer polícia de serviço naquele Sporting de Braga-Benfica da noite de 31 de Outubro já podia estar a jogar.

A partir de agora, caros jogadores, não se esqueçam: se quiserem bater em alguém, batam nos stewards, como fez Hulk ou Sapunaru. Para o Conselho de Justiça, essas agressões não valem mais do que três ou quatro jogos de suspensão. Tentar agredir um adjunto? Cuidado: o mesmo Conselho de Justiça acha que isso merece castigo exemplar. Três meses, no caso de Vandinho. Porquê? Porque o adjunto é um agente desportivo; um steward não, tal como o polícia, o bombeiro ou o adepto.

Entende o Conselho de Justiça da Federação que um steward não é um agente desportivo e portanto não se aplica o regulamento criado para punir agressões a agentes desportivos. Ao Conselho de Justiça nem sequer interessa que, por lei, e segundo li, jogos com mais de 15 mil espectadores não possam decorrer sem stewards.

O que fica claro depois da decisão do Conselho de Justiça da federação é que agredir stewards, polícias, bombeiros, público em geral ou jornalistas não é coisa assim muito grave, e portanto a partir de agora os jogadores saberão que em caso de fúria podem bater à vontade no zé povinho que o pior que lhes acontece é ficarem na bancada três ou quatro joguitos.

Aliás, para o mesmo Conselho de Justiça (tal como para a Comissão Disciplinar da Liga, aliás) foi muito mais grave a tentativa de agressão de Vandinho ao adjunto de Jesus do que a agressão de Mossoró a um jogador adversário. Classifica-se a importância do atingido, imagine-se. No futebol português não é a agressão que interessa; o que interessa é quem é o agredido.

A agressão de Eric Cantona a um adepto seria em Portugal punida com 3 ou 4 jogos de suspensão. Em Inglaterra, pátria do futebol, onde o francês do Manchester United pontapeou um espectador, o castigo foi um bocadinho mais pesado: um ano de suspensão!

Será mais grave a agressão de um jogador de futebol a outro jogador de futebol do que a agressão de um jogador de futebol a um adepto? Ou a um polícia? Ou bombeiro? Ou steward? Porquê?

Não será até mais compreensível (embora igualmente inaceitável) que um jogador agrida outro, em pleno campo, no calor do jogo, do que a agressão de um jogador a outro elemento do jogo, fora do campo e já depois, até, de ir ao seu balneário?

Mas tem alguma lógica que a gravidade de uma agressão, seja atribuída em função do agredido? Mas há agredidos mais dignos de levar um pontapé nos queixos que outros?

Felizmente alguém fez justiça por portas travessas. E esse alguém foi o próprio FCP, que ao propor a suspensão imediata após processos disciplinares obrigou o seu jogador a ficar 3 mesinhos na bancada

 Tudo isto é estúpido.

Belenenses: 0 - FCP: 3


Eis o regresso!

Na verdade, o grande motivo de interesse era mesmo o regresso do Hulk, depois da vergonha do seu castigo. E que regresso! Os pró Ricardo Costa (vá-se lá saber quem são) estavam desejosos de ver o Hulk fazer asneira, ou se quiserem, ver o Hulk perder-se nas suas fintas, mas sem nada fazer. Os anti Ricaro Costa (vá-se lá saber quem são também) esperavam por um grande jogo do Hulk. Confesso que estava neste segundo grupo, mas com receio que a ansiedade do Brasileiro extravasasse a sua qualidade.

Na verdade, o Hulk não fez apenas uma excelente joga, como esteve nos três golos do Porto. Ainda havia de estar num quarto, com mais uma assistência para o Falcão, mas o árbitro fez o favor de anular um golo limpo. Hulk esteve de facto imparável, pois assistiu por duas vezes os seus companheiros (A segunda com muita classe, para um golo do Falcão à Jardel) e marcou um golo que mais parecia um míssil balístico intercontinental! Esta exibição só veio aumentar a incerteza que existe em relação ao campeonato que o Porto podia ter feito com o Brasileiro em campo. Ontem viu-se um cheirinho…

Quanto ao jogo (com um Belenenses fraquinho, confirmando a 2ª divisão), pouco mais a dizer a não ser a titularidade do Guarin. Não é que tenha feito um jogo mau, mas se disser que não fez um jogo por aí além, também não estarei errado. Este é um dos jogadores que pode ser metido, no final da época, num contentor e devolve-lo à proveniência. Nota ainda para a titularidade do Miguel Lopes em detrimento do Fucile, confirmando assim o momento menos positivo do Uruguaio e o incremento de confiança no Português.

Com a derrota do Braga na Luz, o campeonato está praticamente entregue e agora há que torcer para que o Braga derrape até final do campeonato para ver se o Porto ainda consegue ir à Champions. São 5 pontos de diferença.

Benfica:1 Braga:0



O Benfica deu um passo de gigante rumo à conquista do campeonato. Estádio a abarrotar, um ambiente fantático, e duas equipas dignas uma da outra, embora o Benfica seja melhor do que os minhotos, como evidencia a tabela classificativa: mais pontos, mais vitórias, mais golos marcados e melhor defesa.

A estratégia de Domingos foi evidente, tentar defender em bloco (um dos pontos fortes do Braga), e quando tivesse a bola, sair em transições rápidas com Mossoró, Alan e Renteria como setas apontadas à baliza de Quim.

Por isso o Benfica nunca poderia entrar em descompensação defensiva, sob pena de ver perigar a sua baliza. Foi por isso, uma primeira parte muito táctica, mas sempre com a iniciativa de jogo a pender para os encarnados.

Antes do intervalo, surge o golo de Luisão, e Domingos viu a sua estratégia ir por água abaixo. A segunda parte foi assim um jogo mais dividido, mais aberto, com os bracarenses a colocar mais homens no ataque. A determinada altura cheguei a pensar que, ou o Benfica matava o jogo com um segundo golo, ou Braga poderia marcar. Mas felizmente a defesa encarnada mais uma vez não deu hipóteses, consentindo apenas um calafrio após um cabeceamento de Moisés.

O Benfica venceu assim por 1-0, com um golo de Luisão, que continua a marcar nos momentos decisivos, como aconteceu naquele Benfica-Sporting do último título de campeão. O ataque tem sido demolidor, mas a defesa do Benfica está também a atingir níveis exibicionais muito elevados, sendo a menos batida na Europa, com menos seis golos do que o Barcelona. Penso que não exagero se referir que desde os tempos do Ricardo e Mozer que os encarnados não tínham um sector defensivo tão eficaz.

O Benfica sai do ciclo infernal (Marselha-FCP-Braga), com três vitórias, e está finalmente embalado rumo ao título.

Venha de lá o Liverpool.


CM notícia influência do FCP no CJ da FPF

O membro do Conselho de Justiça (CJ) da FPF responsável pelo acórdão que ditou redução dos castigos a Hulk (de quatro meses para três jogos) e Sapunaru (de seis meses para quatro jogos), Dionísio Alves Correia, confidenciou em Coimbra, a pessoas ligadas ao futebol, que iria confirmar na íntegra a decisão da Comissão Disciplinar (CD) da Liga.

Segundo soube o CM, o também vice-presidente do CJ afirmou que não havia qualquer hipótese de entender os stewards fora da categoria dos "intervenientes no jogo com acesso ao recinto desportivo" – designação utilizada pelo Regulamento Disciplinar da Liga – e, portanto, a tese de que poderiam ser equiparados a espectadores – apresentada pelo FC Porto no recurso – não era compreensível.

Nessas conversas, Dionísio Alves Correia (conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça), que reside em Coimbra, declarou--se ainda impressionado com a fundamentação jurídica do acórdão da CD e entendia que a jurisprudência do CJ – que já definira que bombeiros e maqueiros em funções em jogos também eram "agentes desportivos" agredidos – era certa e tinha de ser seguida neste caso. Já estava inclusivamente a fazer o acórdão que iria rejeitar todas as pretensões do FC Porto.

Contudo, na reunião do CJ de 24 de Março, apresentou um acórdão em que equiparou os stewards a espectadores, pelo que as punições a Hulk e Sapunaru tinham de ser em jogos e não em período de tempo, para espanto de alguns colegas, que sabiam o que pensava Dionísio Alves Correia e estavam de acordo com ele, casos de Alexandra Pessanha (docente universitária), Maria Dulce Ferreira (procuradora da República jubilada) e Sarmento Botelho (desembargador jubilado e também residente em Coimbra). E estranharam a adopção, sem mais, da tese do FC Porto – tanto mais que, de acordo com o que ficou escrito na versão final do acórdão, o steward ser espectador "não é muito líquido nem satisfatório".

De acordo com as fontes contactadas, Alexandra Pessanha, Maria Dulce Ferreira e Sarmento Botelho também ficaram incomodados com o facto de o líder do CJ ter escrito no acórdão que os directores de segurança dos clubes – que coordenam a actuação dos stewards nos estádios – eram "agentes desportivos" porque tinham responsabilidades em relação ao recinto desportivo.

Após ter sido tomada a decisão que diminuiu os castigos de Hulk e Sapunaru, o acórdão do CJ foi enviado por fax à Liga e ao FC Porto, o que não é habitual. As outras decisões, em especial a que confirmou o castigo do bracarense Vandinho (três meses por agressão ao treinador adjunto do Benfica Raul José), foram por correio e chegaram à Liga na passada sexta-feira.

António Sousa Lamas, membro do CJ, é conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça. Vive em Aveiro mas é visto frequentemente na tribuna presidencial do Dragão, com cachecol do FC Porto.

Apesar de Alexandra Pessanha, Maria Dulce Ferreira e Sarmento Botelho estarem contra a equiparação dos stewards a espectadores, votaram a favor do acórdão. O CM sabe que tal se deve a um pacto que existe no CJ: todas as decisões importantes têm de ter o apoio de todos os conselheiros. 

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ansiedade vai crescendo

Toques de Cabeça

BICA E CIMBALINO
Por JMMA



O Conselho de Justiça (CJ) da Federação não descansa. Quando pode fazer triste figura, faz. Quando pode evitar um escândalo, não evita. Quando não há nada a fazer, inventa um ‘conto do vigário’. Depois das cenas indecorosas do ‘Apito’, que por sua vez já haviam sido antecedidas pelas cenas mirabolantes do “Caso Mateus/ Gil Vicente” (e adiante que se faz tarde), tivemos agora o escândalo do túnel com um enredo tão rasca, tão rasca que, se ainda fosse vivo, Mario Puzo, autor de O Padrinho, seria capaz de escrever um romance sobre a condição humana recorrendo apenas às palavras “compadrice”, “interesses”, “pressões”, “desfaçatez”, “fantochada”, “veniaga” , “Madail” e “corja”.

Que em 2010 se faça um ‘remake’ da obra-prima surrealista a que assistimos no Verão de 2008 à volta da bizarra reunião do CJ de 4 de Julho, tem pelo menos o mérito de nos recordar de que, apesar de todos os ‘Apitos’ frustrados, o folhetim continua com um enredo cheio de carambolas e de vilões que reduzem o Tony Soprano de celulóide a um menino de coro.

Claramente, este CJ – que, recorde-se, Madail tirou da cartola quando foi preciso correr com o anterior presidente, o inefável Gonçalves Perreira, por iniquidades e abuso de poder – este CJ, dizia, prossegue na senda do vale-tudo. Podia pecar disfarçadamente ou forçando levemente a nota, já não seria mau. Mas não: favorece sem vergonha, delibera sem pudor, desvirtua sem pejo. O CJ é hoje o elo mais fraco do sistema que enforma a gestão do futebol em Portugal. É o mais desprestigiado de todos os órgãos sociais da Federação e da Liga, incluindo os árbitros em quem já ninguém confia.

Poderão encontrar-se razões formidáveis para negar este estado de coisas. É sempre possível imaginar que os adeptos em geral (tirando os do clube-patrão) são uns maldizentes. Que são uns mal-formados. Que lhes falta fair play. Que a comunicação social amplifica tudo. Que os fracos odeiam os melhores e, por isso, caluniam. Que este clube, agora na berlinda, não é pior do que os outros quando lá estiveram também. O que se quiser. Mas, para os desvarios do CJ, não vale a pena procurar razões sociológicas nem alegações oportunísticas.

A responsabilidade é toda dos clubes e seus dirigentes. Uns por acção, outros por omissão, mas todos. Ajudados por um sistema de regulamentos medonho, que eles próprios arquitectaram e aprovaram, competem desenfreada e desavergonhadamente uns com os outros na apropriação do poder, cientes das vantagens e privilégios a que podem aceder (ou perder) por via das práticas mais manhosas, de todos conhecidas, a que o sistema foi deixado deliberadamente ao sabor.

Dentro de poucas semanas, vão eleger democraticamente os novos órgãos sociais da Liga. Conjugar o que se começa a desenhar acerca da escolha do presidente com os últimos episódios do folhetim ” túnel” será talvez permaturo, mas ajustado a esta tertúlia de café. Sai um cimbalino! Eleger democraticamente... Que ninguém os leve a sério. Sobretudo em Abril.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quem é o burro afinal

Em 1995, Eric Cantona pontapeou um espectador e foi suspenso por nove meses. Em 1998, Fernando Mendes agrediu um bombeiro e foi suspenso por três meses. Em 2008, Emmanuel Duah pontapeou a perna de um maqueiro e foi suspenso por dois meses. Note-se que, até agora, as vítimas eram todas elas pessoas que estavam a intervir fortemente no jogo. Em 2009, Hulk agride um steward, é suspenso por três jogos, o Presidente da Liga demite-se, e os adeptos portistas reclamam INJUSTIÇA.

O nosso País, o nosso futebol é realmente extraordinário.

Logo por sorte, o assistente de recinto desportivo em termos jurídicos não é considerado um "interveniente no jogo". É certo que mencionei o fator sorte. Mas não coloco de parte a hipótese de Hulk, segundos antes de aplicar um pontapé na queixada do steward, ter pedido um parecer jurídico ao prof. Gomes Canotilho. Ainda que bem que existe o Direito: se não, quem é que fazia a distinção entre mandíbulas fraturadas?

Nenhum dos jogadores acima referidos, nomeadamente Mendes e Duah, foi suspenso preventivamente, é certo. Mas isso deve-se ao facto de, nessa fase, o FC Porto ainda não se ter lembrado de propor aos outros clubes que os jogadores expulsos ficassem automaticamente suspensos sem limite temporal - só o fizeram em Junho de 2009. A maior parte do período que Hulk ficou sem jogar (de 20 de Dezembro até à decisão da Comissão Disciplinar da Liga, a 19 de Fevereiro) deve-se, portanto, ao próprio departamento jurídico das Antas, com quem se diz que o dr. Ricardo Costa aprendeu tudo o que sabe sobre decisões que prejudicam o FC Porto.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vozes de Burro...


Oh, e não é que o Ricardo Costa, o Supra-sumo foi desautorizado?


E agora, quem pagará a estupidez da decisão e a interpretação da lei que o senhor fez à sua maneira? Quem pagará o facto do Hulk (já não falo do Sapunaru, pois já não está cá) ter estado 18 jogos na bancada e ter perdido, provavelmente, a hipótese de estar presente no Mundial? Quem pagará ao Porto o facto de ter perdido duas opções do seu plantel, ainda por cima numa época com tantas lesões?


O primeiro a pagar foi o Hermínio. Acho muito bem - mostra que tem dois dedos de testa. Espero que o gajo que fez a borrada também tome o mesmo caminho. É o mínimo, depois de tal palhaçada!


Já estou a ver todas as virgens ofendidas virem a terreno dizer que esta decisão (3 jogos contra 4 meses - incrível) é comprada, é o efeito Pinto da Costa e o diabo a quatro. É engraçado que todas as decisões anti-Porto são justas, transparentes, anti-regime e coisa e tal, e quando as decisões são favoráveis ao Bi-Tetra-Campeão, são decisões duvidosas.


Pois bem, duvidosa foi a decisão (como agora ficou provada) do Pavão. Duvidosa foi a forma como todo o processo foi conduzido. Duvidoso foi o timing da decisão de hoje. E duvidoso foi a forma como o Ricardo Costa lá foi metido - "porque eu estou a fazer isto por outro lado". Esta frase diz-vos alguma coisa?


Em suma, não vou ao ponto de dizer que a palhaçada foi totalmente decisiva no afastamento do Porto ao título deste ano, mas que este campeonato ficará marcado por uma decisão e por um roubo que ficará na história, lá isso vai!


Taça de Portugal: Rio Ave: 1 - FCP: 3


Pouco a dizer do jogo, até porque neste pouco tempo que tenho, prefiro direccionar o mesmo para o assunto do dia.


A equipa do Porto deu um ar da sua graça e até teve jogadores que estiveram uns furos acima do que tem sido habitual. Meireles fez o seu melhor jogo dos últimos tempos, o Ruben Micael voltou ao registo que mostrou quando chegou ao Porto e esteve nos 3 golos, a assistência do Falcão para o primeiro golo é, para mim, deliciosa e até o guarin conseguiu estar razoável.


A final está à porta e agora só falta saber o adversário, depois desta vitória sem espinhas.

Triste futebol o nosso


O Conselho de Justiça inseriu os stewards na categoria de "público" para julgar as agressões de Hulk e Sapunaru no túnel da Luz. Excelente decisão! Ou seja para o CJ da FPF, eu tenho mesmo estauto jurídico que os colaboradores da empresa de segurança, contratada para assegurar a segurança do próprio espetáculo.

Herminio Loureiro demitiu-se na sequência desta decisão, por achar que a mesma extravasa a Justiça Desportiva.

É com profundo pesar e até desilusão, que vejo o futebol português a dar um "pontapé no cú" de Hermínio Loureiro. É excelente continuarmos com os Valentins e prescindirmos dos Hermínios

Quando foi eleito Presidente da Liga, Hermínio não teve o meu apoio, principalmente devido às pessoas que o apoiavam, admito que com o tempo mudei de opinião. Posso ter discordado de algumas da suas decisões, mas Hermínio Loureiro pareceu-me sempre uma pessoa bem intencionada e acima de tudo séria. Adjectivo que tem faltado a muitos que têm passado pelo cargo.

Sendo ele uma pessoa séria, a sua demissão neste momento era inevitável, só pessoas mal formadas como Valentim Loureiro podiam ficar agarradas ao poder, como aliás ainda o estão a fazer.

O assalto ao poder da Liga já estava lançado, esta situação não altera muito o calendário. Mas é engraçado que neste momento, a pessoa que vai à frente da corrida é o vice-presidente do FCP Fernando Gomes.

Triste fado o nosso.

Toques de Cabeça

45 POR CENTO
Por JMMA



Sobre o discurso dos comentadores de futebol, habituámo-nos a cultivar uma série de mitos. Convencemo-nos de que são todos igualmente estúpidos e, depois, não estamos preparados para detectar nuances entre eles nem mesmo quando o génio nos aparece à frente. Por exemplo: ainda hoje quando recapitulamos as frases do futebolês sobre a Final da Taça da Liga não sabemos se havemos de colocá-las na secção de gaffes ou na de citações. Diz uma: «O jogo teve duas partes distintas». Vamos por partes (como diria Jack, O Estripador): é óbvio que um jogo de futebol tem duas partes. “Distintas”... Pois com certeza, mas poderia ser de outra forma! Diz outra: «O resultado é enganador». Enganador?... Será que o árbitro errou a contagem dos golos? Ou será que trocou as balizas onde eles entraram? Outra ainda, neste caso, a propósito do tal golo: «O futebol é isto mesmo». La Palice, o general que «momentos antes da sua morte, podem crer, ainda vivia», não diria melhor. «O basquetebol é isto mesmo», «Os matraquilhos são isto mesmo», «A caça às rolas é isto mesmo»... Tudo é isto mesmo.

Ouve-se tanta parvoíce que às vezes a gente até se confunde quanto à origem. Por exemplo: historicamente, quem é que primeiro falou em «chutar com o pé mais à mão» - foi o Gabriel Alves, como dizem metade dos inventários consagrados à contabilização dos lapsus linguae, ou foi João Pinto, o capitão de Viena, como diz a outra metade? E quem terá sido o autor desta verdade surpreendente: «A bola é redonda»? E deste lamento: «A bola não quis entrar»? E desta evidência: «Em alta competição os erros pagam-se caros»? Óbvio. E em baixa também... E em média também. Todos os erros têm um preço. Alto ou baixo, é subjectivo.

Uma coisa, porém, são os clichés ou os deslizes – que qualquer um comete – outra coisa são os bitaites científicos, só ao alcance dos grandes génios. Há dias, a comentar numa estação de rádio os resultados do sorteio para os quartos-de-final da Taça Europa, que emparceirou o Benfica com o Liverpool, eis que um afamado futebólogo (Joaquim Rita) teve este «remate certeiro» (cito de cor): «o Benfica tem 45% de hipóteses». Fiquei a pensar, por que não 42%, ou 37,5%!

Com certeza, o doutor do losango lá terá feito as suas contas. Só que, diz o cliché, «futebol não é 2+2». Entre a simplicidade da aritmética e a complexidade da física quântica há conceitos fugidios, mais do campo das sensações do que das ideias. Por vezes são tão necessários para perceber o que acontece em campo como as noções tácticas ou o palmarés dos jogadores. Se o futebol fosse tão simples como dois mais dois, nunca o Porto, uma semana depois de ter dado 5 ao Braga, levaria 3 do Sporting; o Cardozo e o Falcao não falhavam pénaltis decisivos; e o Braga seria uma impossibilidade aritmética.

O futebólogo é assim: pega num acontecimento, esvazia-o de qualquer ideia e disserta ‘ex-cathedra’ sobre ele. Escrevem tratados infindos sobre a táctica do losango. Discorrem até à exaustão sobre a relação entre o índice relativo de humidade atmosférica e a velocidade do «esférico» à flor da relva. Sabem de cor o número de assistências do Rui Costa, feitas com o pé esquerdo, no Euro 2004. Tudo isso para quê? Para bajular os vencedores ou denegrir os vencidos; nas mesmas pessoas, consoante as circunstâncias. Censuro, não porque veja grande mal nisso, apenas porque estes cientistas da bola se levam a sério e pretendem que nós assim os consideremos também.

Sinceramente, preferia a euforia histriónica do saudoso Jorge Perestrelo – preferia mil vezes aquele animador louco, aquele não-ser jornalista – a estes intelectuais da treta que sobem ao púlpito e, como pesassem batatas ou se vissem aos comandos duma playstation, têm o desplante de decidir duma penada a sorte duma eliminatória: são 45%! Ao menos Jorge Perestrelo divertia-nos.