quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Colunista Convidado Residente, por JMMA

MATRECOS É QUE É

Começo por felicitar (a sério) as novas colaborações de pendor leonino, trazidas ultimamente ao Footbicancas (Fb). Vindas numa altura em que o Sporting parece estar a perder lastro, mais são de apreciar.

É justo, sim senhor, o Fb dedicar espaço aos clubes pequenos. Acho, porém, que descer a pique na escala de valor dos clubes ‘permitidos’ deve ser visto com cuidado. Se vamos por esse caminho, quem nos diz que um dia destes não temos para aí o Atlético e o Varzim ao barulho, a fazer lembrar chatices.

Diversificar, sim, mas não a qualquer custo. Em caso de crise de assunto, avance a arbitragem que dá sempre pano para mangas. Embora eu ache aqui para nós que a ‘fashion’ dos árbitros ultimamente até mudou um pouco. Não vos parece que os sopradores de apito, em vez de Valentino que já ninguém aguentava, passaram a vestir Tenente? Disse Tenente, costureiro; não disse Major, santo mártir que tanto fez pelos superiores interesses do futebol (axadrezado) e agora nem o deixam descansar por causa do xadrez. Oh, ingratidão!

Mas ‘afastada a arbitragem’ (salvo seja), ainda assim o que não falta são assuntos por onde diversificar. O Eurosport, por exemplo, oferece um manancial riquíssimo de modalidades a tratar: golfe, desportos na neve, BTT, sumo e até - por que não - aqueles concursos de brutamontes a puxar camiões, serrar troncos, e outras artes de lenhador. Verdade, já viram a pica que dava o Fb apresentar crónicas regulares sobre os encontros daquela espécie de ‘bowling’ em que põem a deslizar umas ‘marmitas’ com pega e o resto da equipa vai à frente delas aos guinchos, a limpar freneticamente o percurso com umas vassouras. Ainda não percebi bem a função desportiva das vassouras, mas está bem…

Claro que na Eurosport é tudo holandês, dinamarquês, alemão, sueco e que o Fb tem o seu ADN impresso no futebol. Mas se vamos por aí, também tenho uma sugestão: abrir no Fb uma secção de matrecos.

Tem federação e tudo, sabiam? Federação Nacional de Matraquilhos; realizou recentemente em Vila Nova de Famalicão (atenção Vítor) o Open de Matrecos, a segunda prova do calendário federativo, com a participação de – imagine-se! – 150 jogadores! Qual bowling, quais setas ao alvo, qual wrestling, qual snooker, qual sumo! Matrecos é que é. Os senhores do Eurosport é que ainda não nos descobriram. Por isso, no Fb:

Uma secção dedicada aos matrecos, já!

E como o berço da nova modalidade está no norte, proponho que seja o Vítor o responsável especial da nova secção. Acreditem, há razões sérias para o Fb investir o seu melhor nesta área.

- A primeira é que, decididamente, estamos perante a emergência de um dos nossos desportos mais promissores. Com efeito, tratando-se de uma modalidade em que o atleta joga com as mãos e parado, os matrecos permitem jogar bom futebol a quem não tem jeito de pés, qualquer que seja a dimensão da barriga. Assim sendo, tem tudo para ser o novo desporto nacional, onde rapidamente podemos desfrutar da posição de líderes incontestados do ranking mundial, com abadas monumentais superiores às do hóquei em patins.

- Segunda e mais decisiva razão para o Fb apoiar a promoção dos matrecos: Ajudar Madaíl a assumir no quadro da UEFA o pelouro da modalidade, única esperança que o homem tem de poder ser útil nas suas funções [b]uefeiras, actualmente resumidas a uma especialidade exótica chamada ‘cachaços no Gil’.

Vai um joguinho?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Benfica:3 Paços Ferreira:1


O Benfica venceu o Paços de Ferreira por 3-1, no Estádio da Luz, e isolou-se no segundo lugar da classificação da Liga, agora a quatro pontos de distância do líder FC Porto e a três do Sporting.

Tal como nos tem habituado em casa, o Benfica fez 40m arrasadores. Marcou dois, como podia ter marcado 3 ou 4. A exibição foi boa, e só uma desconcentração no final da 1ª parte, permitiu ao Paços voltar a entrar no jogo.

Na segunda parte, o Paços bem tentou surpreender, mas o dominio do jogo pertecia na mesma aos encarnados, e o terceiro golo veio repor a justiça no resultado.

Aqueles que me fazem o especial favor de ler as minhas crónicas, têm reparado que tenho dado sempre o favoritismo da conquista do campeonato ao FCP. Campeonato esse que para a maioria dos portistas está entregue desde a 5ª jornada.

Deixo apenas um pequeno aviso à navegação. O campeonato provavelmente será gaho pelo FCP, MAS AINDA NÃO ESTÁ GANHO.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

18ª Jornada - Erros de Arbitragem


FC Porto - 4 Naval – 0

76' - Penalti por marcar. Mário Sérgio empurra Fucile dentro da área.
(1 erro grosseiro contra)

P. Ferreira - 1 Sporting – 1

(jogo sem erros grosseiros)


Nacional - 0 Benfica – 2

(jogo sem erros grosseiros)

Mais um caneco para o Mourinho

Mourinho conquistou mais um caneco e o seu curriculum começa a ser impressionante:

- 2 Campeonatos Portugueses;
- 1 Taça de Portugal;
- 1 Supertaça Portuguesa;
- 1 Taça Uefa;
- 1 Liga dos Campeões;
- 2 Campeonatos de Inglaterra;
- 2 Taças da Liga de Inglaterra;
- 1 Taça Community Shield.

Não tem a Intercontinental (agora campeonato do mundo de clubes) e a Taça de Inglaterra. A primeira não a tem porque não quis. Ninguém o mandou embora do Porto. Bem feita!

Mas este jogo, para além da vitória, teve um lance arrepiante sobre o Terry. Para ver:

Beira Mar: 0 - FCP: 5

O Porto parece ter voltado às exibições seguras e eficazes. A fase de instabilidade parace ter ficado para trás e por isso, o ciclo terrível que aí vem pode ser encarado com maior tranquilidade. A equipa campeã nacional vai entrar numa fase muito difícil e terá nos próximo 4 jogos um teste de fogo à revalidação do título conquistado no ano passado.

Braga, Marítimo, Sporting e Benfica serão os próximos jogos que o Porto tentará vencer. Se conseguir passar estes testes sem grandes arranhões, poucas dúvidas existirão quanto ao próximo campeão. Estou convencido que se o Porto conseguir 10 pontos nos próximos 4 jogos, dificilmente os adversários conseguirão apanhar o FCP!

Quanto ao jogo, nada a dizer quanto à justiça da vitória, tamanha foi a diferença que se verificou no "score" . No entanto, o Jesualdo poderá pegar neste jogo para rectificar alguns pontos menos conseguidos, como por exemplo, o adormecimento que a equipa teve após o primeiro golo. De facto, a equipa teve uma atitude nada coincidente com aquilo que se exige de alguém que quer ser campeão, e que por isso tem que mandar nos jogos contra equipas mais fracas. Depois do primeiro golo, os jogadores do Porto facilitaram ao ponto de permitir ao Beira Mar uma subida no terreno algo perigosa. E isso poderia ter saído muito caro, caso a equipa da casa marcasse.

Como não marcou, morreu quando o Porto fez o segundo golo, que curiosamente foi precedido de um fora de jogo. Ainda agora estou para perceber como é que o árbitro deixou passar este lance. É que ultimamente, em caso de dúvida o Porto era sempre o prejudicado, tal como o foi minutos antes quando não marcou mais um penalti a favor do Porto, numa carga sobre o Postiga.

Depois do 2-0, o jogo ficou irremediavelmente decidido para o lado azul, ficando apenas por decidir o número de golos, que acabaram por ser 5!

Nota final para um penalti que o árbitro finalmente assinalou a favor do Porto. E isto é uma nota realmente importante depois de todas as grandes penalidades que ficaram por marcar nos últimos jogos do FCP, a ponto do meu colega de blog ter desistido de fazer os "erros de arbitragem". A esperança que tinha no inicio de época de provar que o Porto seria o grande beneficiado da competição, acabou por parir um rato!

domingo, 25 de fevereiro de 2007

SCP: 0 - Aves : 0, por Rui Martins

Antes de mais quero agradecer a oportunidade que me foi dada para colaborar com esta instituição que é o Footbicancas. Foi-me atribuída a responsabilidade de escrevinhar umas coisas sobre o clube que tem como lema Esforço, dedicação, devoção e glória... o Sporting. Esta responsabilidade é partilhada com o Joaquim Claro compincha de clube e outras tertúlias mais.

Calhou-me nesta jornada a fava, a fava porque o jogo de hoje foi tão mau que me faltam adjectivos para alimentar a crónica desta semana. E digo isto porque para mim falar mal do Sporting não é fácil, mas com o jogo de hoje até acho que consigo.

Em fim-de-semana de sonho lá para os lados de Hollywood, com a entrega dos oscares, para os lados de Alvalade tivemos uma primeira parte digna de um filme de terror candidato aos Razzies (são os prémios atribuídos aos piores filmes do ano).

Com uma disposição táctica a que já estamos habituados com o famoso losango no meio campo, composto pelo valente Moutinho, o incipiente Nani a incógnita Yannick e o ensonso do Custódio atrás da dupla Liedson e Bueno El Louco. Na defesa reinou a serenidade do Polga e Caneira, o Veloso hoje sem ser brilhante lá cumpriu mas já teve melhores dias e do lado esquerdo parecia-me que não havia ninguém... antes não houvesse porque andou por lá o Ronny... medo, muito medo. E à frente da baliza o Ricardo. A equipa do Aves apresentou-se num 4-4-2 e quando atacava transformava-se com facilidade num 4-3-3 mas felizmente o trio da frente era macio. O Professor Neca disse antes do jogo que vinha jogar um futebol de ataque e aberto, ainda o cumpriu na primeira parte mas na segunda parte ficou fechadinho lá atrás e conseguiu um pontinho.

Ao Sporting cabia-lhe a missão de pegar no jogo, mas durante a primeira parte nunca o conseguiu fazer de maneira eficaz e apresentou um futebol atabalhoado e com percas de bola principalmente por parte do Ronny que não comprometeram mais porque como já disse o trio atacante do Aves era macio e a serenidade do Polga e Caneira ia dando para as despesas mas ainda assustaram. O meio campo não foi capaz de produzir uma jogada com princípio, meio e fim e a dupla atacante do Sporting nunca foi servida em condições.

Chegou o intervalo deste "filme de terror", e durante os 15 minutos para combater o frio que se fazia sentir em Alvalade dei por mim a pensar nas palavras do Peseiro durante a semana e meditava para mim próprio afinal ele até tem uma ponta de razão... mas qualquer equipa apresentaria um futebol melhor do que este apresentado durante a primeira parte. O Paulo Bento vai dar uma descasca no balneário faz uma ou duas substituições e isto muda para melhor, porque pior era impossível. Mas depressa me desenganei porque observava o aquecimento dos suplentes que eram potenciais candidatos às substituições e estavam numa amena troca de bola, tipo brinca na areia.

Começou a segunda parte e lá regressou o mesmo onze, continuei de coração apertado porque ainda lá vinham o Ronny e o Custódio, o castigo do Tonel fez recuar o Veloso e só por isto se percebe como o Tonel é importante nesta equipa, além de que quando está em campo apresenta um segurança e confiança de um bom central, ninguém diria isto há dois anos atrás, e permite o avanço no terreno do Veloso. Bom adiante e voltemos ao jogo.

Apesar de ter entrado com o mesmo onze, o Sporting entrou com outra disposição, não o disse antes mas nos dez minutos finais da primeira parte o Sporting melhorou um pouco e na segunda parte melhorou ainda mais. Já foi capaz de apresentar um futebol mais bonito, à lá Peseiro, mais pressionante que fez com que o Aves definitivamente se remetesse à defesa do resultado abdicando de atacar... mas as oportunidades iam escasseando. Ficou-me na retina por volta dos 6 minutos um bom cabeceamento do El Loco, corre que se farta este homem mas apresenta um futebol um bocado trapalhão, e um minuto antes um remate do Nani de fora a área que causou algum frisson. As bancadas animavam-se e puxava-se pela equipa, e a equipa finalmente ia correspondendo. Pelo menos já não se perdiam bolas infantilmente já conseguiam trocar a bola e o Aves não conseguia sair com tanta facilidade para o contra-ataque.

Aos 60 minutos o Paulo Bento lá achou que apesar de já estarmos a jogar melhor assim não íamos lá. Parece que acordou para a vida, e tirou o Ronny. O Ronny, caramba não é nenhum Roberto Carlos, apesar de ter um remate forte parece muito ingénuo a jogar. A um lateral, pede-se que suba pelo seu corredor sem descurar as costas mas falta-lhe velocidade, depois complica aquilo que parece fácil e perdeu bolas infantilmente. Não me esqueço do recital de mau futebol que ele deu contra o Spartak de Moscovo e hoje repetiu a dose. Posso concluir volta Tello, ou então que se coloque o Caneira na Esquerda e o Abel na direita ou até o Miguel Garcia.

Respirou-se de alívio com a alteração e entrou em campo o Farnerud e uma nova disposição táctica. Com três defesas, o Yannick descaiu para a esquerda que até aqui foi outro que pouco se viu o Nani abriu mais na direita com o Farnerud o Moutinho logo à frente do Custódio no miolo. O Sporting continuava a dominar sem criar grande perigo, apertava cada vez mais o Aves como prova disso temos numerosos pontapés de cantos que foram marcados pelo Sporting. Num desses cantos a bola acabou por entrar mas o levezinho estava acampado no fora de jogo. Logo de seguida entrou o Carlos Martins para o lugar do Custódio, mais uma vez se respirou de alívio. O Custódio é um capitão mal amado, se no posicionamento defensivo até se safa bem e ganha muitas bolas de cabeça no meio campo, quando tem que construir jogo... é para esquecer, muito gosta ele de jogar para o lado e para trás. Recuou o Moutinho, que joga sempre em alta rotação, o Carlos Martins posicionou-se ao lado do Farnerud mas estes dois não se entenderam lá muito bem e pareceu-me que apareciam muitas vezes na mesma zona. Até ao fim do jogo ainda saiu o El Louco e as bancadas não gostaram. Não gostaram porque ainda está na memória os golos recentes que marcou e porque durante o jogo correu que se fartou e dava muita luta a quem lhe aparecia pela frente. Entrou para o seu lugar Alecsandro que nada fez para agarrar o lugar. O Sporting continuou a pressionar e a trocar a bola mas sem criar grandes oportunidades, mas o Farnerud ainda esteve perto do golo mas o Nuno defendeu e o Liedson chegou atrasado a um bom remate cruzamento do Carlos Martins.

Se a primeira parte foi um filme digno dos Razzies, já a segunda parte foi um filme da categoria B sem categoria para as nomeações dos Oscares que são já este domingo.

Não fiz referencia ao golo anulado na 1ª parte, a mim no estádio pareceu-me legal (pelo menos convinha-me que fosse).

Quanto ao Aves e em jeito de resumo, já o disse que na primeira parte ainda de pôs em bicos de pés e na segunda parte limitou-se a defender e bem. Uma palavra de apreço para o Sérgio Nunes que ainda lá anda e para o Nuno que também esteve bem na baliza... quanto aos outros tenho alguma dificuldade em fazer uma avaliação concreta porque à maioria não os conheço e no estádio não foi feita a apresentação das equipas pelo sistema sonoro só nos ecrãs gigantes não consegui ver toda.

Uma palavra final para a claque do Aves. Eram algumas dezenas e barulhentos, não muitos mas mais do que outros clubes maiores trouxeram a Alvalade, e nunca pensei que a uma sexta-feira gelada viesse tanta gente lá de cima para ver o jogo. Digo isto porque há outros clubes supostamente maiores que não arrastam tanta gente e não estão em último lugar.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Dínamo:1 Benfica:2


Confesso que me assustei. Quando o Dinamo marcou à passagem dos 20m, suportado por um ambiente verdadeiramente infernal, temi que o Benfica jamais conseguisse controlar o adversário.

Enganei-me, e ainda bem que assim foi.

Embora na 1ª parte, o Benfica tivesse tido 2/3 oportunidades de golo, foi na 2ª parte, que os encarnados de Lisboa, assumindo as rédeas de jogo, controlaram a seu belo prazer a partida. Este domínio sob o adversário foi de tal forma evidente, que deu até a sensação de que o jogo tinha sido fácil.

Duas notas de destaque para Simão e Miccoli. Simão está a fazer na minha opinião a melhor época de sempre, e Miccoli é neste momento insubstituível na frente de ataque. O Benfica sem estes dois jogadores, torna-se numa equipa muito menos forte.

Colunista Convidado Residente, por JMMA



CARNAVALADAS

Volta e meia lá vem a expressão “é Carnaval ninguém leva a mal”. Quando tal oiço sempre me pergunto se isso é mesmo verdade ou se é apenas uma invenção dos super dragões para justificarem a alegada sova ao vereador de Gondomar, o saque das áreas de serviço ou, inclusive, a vandalização do carro do treinador quando as coisas correm mal.

Mas a verdade é que em maré de Entrudo tudo é permitido desde que não implique mascarares-te de Helton Jhon ou dizeres aos teus pais que acreditas na inocência do Sporting no caso João Pinto. Por isso, deixo aqui algumas brincadeiras com que a malta chunga andou para aí a divertir-se neste Carnaval.

* A abrir tivemos logo aquela grande cegada com que Miccoli, no domingo, inaugurou os festejos na Madeira. Disfarçado com sete quilos alheios, El Gordo da Luz teve o descaramento e a pouca vergonha de driblar toda a equipa rival, numa jogada espectacular que resultou no seu segundo golo e nos três pontos para o Benfica. Boa partida, não haja dúvida.

* A propósito de partida. Quem terá sido o engraçadinho que neste Carnaval teve a crueldade de telefonar a José Veiga a informar, alegadamente da parte da Judiciária, que o ex-director da SAD encarnada já podia apresentar-se a levantar o passaporte e reaver caução? Não se faz. Com a viagem para Bucareste já em mira, afinal, … qual caução, qual passaporte, ´tás mas é maluco! Acho que em Alvalade, como profissionais do mesmo ofício, nem no Carnaval deviam brincar com estas coisas.

* Giro, giro foi saber-se neste Entrudo que é portuguesa a actriz apontada para interpretar no cinema a ex-coelhinha da Playboy Anna Nicole Smith. Segundo uma agência noticiosa estrangeira a nossa compatriota é a primeira escolha para protagonizar um filme sobre a vida da playmate, que foi casada com um milionário de 89 anos. Entre as diversas hipóteses seleccionadas, a bela Carolina é sem dúvida a favorita, disse a agência, devido à sua «super experiência».

* Outra crueldade. Segunda-feira, acontecimento-bomba nos Estados Unidos: lançamento do livro ‘Man In The Middle’, obra biográfica do antigo basquetebolista da NBA John Amaechi (2,06 metros, post dos Utah Jazz) em que este veio tornar pública a sua homossexualidade. Até aqui tudo bem, é lá c’os gajos. De estranhar foi que, no mesmo dia em que isto sucedia nos ‘states’, logo o Mantorras recebeu, direitinho pelo correio, um exemplar da dita obra biográfica. Com esta dedicatória: “Ao Pedrocas, meu lampiãozinho possante, em lembrança do que gozámos juntos”. Assinado «Amaechi”. O carimbo dos correios indicava o nome de uma estação próximo das Antas. Isto são coisas que façam?

* Para terminar em beleza, o golo mais carnavalesco que eu já vi. Houve outros neste fim-de-semana, nomeadamente, no Restelo, o frango de Costinha mãos-de-seda que deu a vitóriaa à Académica. Mas trapalhão trapalhão foi o golo com que o Manchester, em dia de Carnaval, bateu o Lille por (0-1). Aos 83’, com o guardião Tony Sylva junto ao poste a preparar a barreira, e com parte desta ainda de costas para a bola, Giggs atirou para a baliza sem o árbitro apitar, e marcou. Aos justos protestos do Lille, disse o árbitro, - ‘olarille’. E apontou o centro do terreno. Que excelente golpe de Entrudo!



Em quarta-feira de cinzas, os tempos são de incerteza; não há campeões antecipados a embandeirar em arco, nem eliminatórias no papo. Mas há pelo menos um dado adquirido: o Carnaval vai continuar.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

FCP: 1 - CHELSEA: 1

O Mourinho tremeu, mas não caiu. Se dúvidas houvessem, o jogo de hoje serviu para mostrar que já não há papões no futebol actual. Nem os milhões conseguem construir equipas capazes de chegar a um estádio, defrontando uma equipa com um orçamento muito inferior, e impor-se sem dó nem piedade. Diria ainda que o Porto com um ponta de lança do gabarito parecido com o Drogba ou o Shevchenko, teria ganho o jogo. Mas não tem. Mas vamos ao jogo.

Nos primeiros 5 minutos os jogadores portistas tremiam, não do frio, mas sim dos nervos. Passada a fase de tremedeira, o Porto começou a explanar o seu futebol de uma forma mais tranquila, começando também a aparecer o Quaresma e a fazer a cabeça em água a Diarra, Essien e Makelele. Quaresma é de facto um jogador ao nível dos melhores, capaz de fazer coisas que não lembram ao diabo. Mesmo numa toada de equilibrio, o Porto chegou à vantagem num golo de Meireles à Lampard, numa alura em que o Chelsea estava a jogar com 10, depois da lesão do Terry. Infelizmente a alegria durou pouco porque o jogador de 45 milhões resolveu fazer aquilo que raramente tem feito, ou seja, fazer golo.

Mesmo debilitado com o empate, o Porto lá conseguiu reagir e passados poucos minutos, Lisandro apareceu rapidíssimo, à Drogba, na área e na cara de Cech mas não conseguiu marcar. O Porto continuava a tentar chegar ao golo até que Quaresma decidiu rematar à Quaresma e a bola só parou na trave do jogador Checo.

Na segunda parte o jogo foi muito mais táctico e por isso não foi tão espectacular como a primeira. O Jesualdo tentou variar o seu 4-3-3 (tal como tinha previsto no meu comentário ao último jogo) para o 4-4-2, mas esta variação, mesmo trazendo maior equilibrio ao meio campo, não dava profundidade suficiente para quem queria ganhar o jogo. Logo este esquema foi abandonado passados poucos minutos e o Porto voltou ao 4-3-3 inicial. Porém, a grande diferença para a primeira parte residiu no Quaresma ou naquilo que ele não fez tão bem quanto o tinha feito nos primeiros 45 minutos.

O empate acaba por se aceitar, continuando com a mesma esperança que tinha antes deste jogo começar. Embora sendo muito difícil, não acho que seja impossível. O Porto também tem os seus trunfos e também tem jogadores capazes de desequilibrar, como hoje ficou demonstrado. Relevo para exibição imperial do Paulo Assunção que mais parecia o Makelele.

Em suma, prepara-te Mourinho que não vais ter a vida fácil no jogo de Londres.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

As Primeiras do FCP - CHELSEA

É já na próxima Quarta-feira que as duas equipas se vão encontrar novamente para a mais importante prova europeia. Por capricho de sorteio é a terceira vez que as equipas se encontram em outros tantos anos desde a saída de Mourinho, Ricardo Carvalho, de Paulo Ferreira e companhia Lda para o clube Londrino.

A equipa mais portuguesa das terras De Sua Megestade vem ao Dragão pela segunda vez e traz consigo muitos profissionais que já passaram pelo clube portista. Desde logo o Mourinho, timoneiro da equipa nos dois anos dourados do FCP. O “Special One”, que na altura não passava de um tradutor em final de carreira conseguiu no Porto e em Portugal um feito que, talvez, nunca mais será quebrado. Ganhou tudo aquilo que havia para ganhar e colocou o Porto na rota dos melhores da Europa. Mourinho diz hoje que será alvo de ovações, mas também de assobios. Isto é, aqueles que se lembrarem do seu trabalho irão dedicar-lhe uma onda de palmas e aqueles que já se esqueceram do seu trabalho, irão proporcionar-lhe um coro de assobios. Isto foi o que ele disse, mas na verdade o segundo grupo de pessoas poderá proporcionar-lhe um assobio uníssono não por não se lembrarem do seu trabalho, mas sim por se lembrarem da forma como o treinador de Setúbal deixou o Porto. Se é verdade que o Porto lhe pode estar grato pelo trabalho que desenvolveu, não é menos verdade que o seu processo de saída deixou um pouco a desejar e um amargo de boca terrível. Mesmo não me esquecendo disto, eu pertencerei ao primeiro grupo.

Quanto ao jogo, Mourinho refere que “são os jogadores do Porto aqueles que tem que estar com medo e não os do Chelsea”. Para além disto o treinador diz ainda que “se quiserem superar o Mourinho sob o comando de Jesualdo Ferreira terão de conquistar uma Liga dos Campeões, uma Taça UEFA e uma Supertaça Europeia”. Estas frases são obviamente os exemplos mais que perfeitos dos seus “mind games”, mas que não resultarão para os lados do Dragão. Não resultarão porque no Porto esse tipo de provocação não cola, uma vez que existem no plantel azul e branco antídotos (ex: Baía e Pedro Emanuel) capazes de bloquear as palavras do Mourinho.

Para além disso, tenho a certeza que os responsáveis azuis e brancos saberão desmontar as frases proferidas pelo “Special One”. Até porque é fácil. Quanto ao medo, eu direi que quem tem que ter muito medo, mas mesmo muito medo é o Chelsea. Não é o Porto que tem a obrigação de ganhar a competição. Não foi o Porto que gastou fortunas em contratações. Não é o Porto que tem muito a perder se a eliminatória correr mal. Finalmente, é o Porto que só tem a ganhar se a eliminatória correr bem, porque se a primeira condição se confirmar, facilmente se compreenderá, mas se a segunda condição for avante, será um escândalo para os lados de Stamford Bridge.

Quanto à necessidade de superação, eu diria que é o Mourinho do Chelsea quem tem que superar o Mourinho do Porto e não é o Jesualdo quem tem que superar o Mourinho. É que se o Mourinho do Chelsea não superar o Mourinho do Porto vai haver certamente um Mourinho a experimentar uns patins em linha fabricados na Rússia.

Essa é que é essa!

Nacional:0 Benfica:2


Vitória justa e tranquila do Benfica.

Num jogo bastante táctico, onde as equipas encaixaram desde o primeiro minuto, o Benfica cedo demontrou que facilmente iria controlar as ofensivas do Nacional, e com a mobilidade de Simão, e a dimensão ofensiva de Micoli, o golo era uma questão de tempo.

Com Simão em grande forma, e um Micoli que mesmo não estando a 100%, consegue dar uma dimensão ao ataque do benfica, que nenhum outro jogador consegue, o Benfica manteve a distância de quatro pontos para o FC Porto, que na minha opinião continua a ser o grande favorito à conquista de campeonato.

Mas a esperança é sempre a última a morrer.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Paços de Ferreira: 1 - SCP: 1, por Joaquim Claro

Ao SCP faltou sorte!

Não, a afirmação não é resultado do típico discurso miserabilista português (o nosso triste fado, a nossa triste sina...) mas sim, da minha, análise “objectiva” ao jogo.

O Paços apresentou um onze “natural”, i. é, defesa “durinha” de 4 elementos (sendo que o lateral direito não é um “típico jogador à Mota”...), meio-campo também “durinho” mas com capacidade de fazer passes longos para os extremos, dois extremos rápidos a apoiar o ponta-de-lança. A sustentar tudo isto, mais de 18 meses(!!!!) sem perder na Mata Real. Para uma equipa com as limitações do Paços, é obra digna de nota, justiça seja feita ao Mota neste aspecto.

O Sporting apresentou o seu modelo de jogo habitual, i. é, defesa de quatro elementos, o meio-campo em losango (a saída do Custódio é claramente uma mais-valia para a fluidez de jogo) e dois avançados.

O terreno estava bastante complicado pois foi notória alguma dificuldade dos jogadores em manter “a posição vertical” quando tentavam uma mudança de direcção ou uma finta mais elaborada.

Foi um jogo rápido e disputado de parte a parte.

Durante a primeira parte não me lembro de nenhuma intervenção do Ricardo digna de nota. O Peçanha esteve em grande!
O meio-campo do SCP conseguiu manter uma constante ofensiva bastante interessante sem nunca cair no erro dos cruzamentos altos (o Geraldo e o Luís Carlos jogam muito bem de cabeça, já pelo chão...) e desta forma criar oportunidades para os avançados facturarem – contei 6! – a última foi um forte remate de fora da área do Nani.
O Veloso, actualmente, faz melhor a posição de trinco que o Custódio (é mais rápido a definir o movimento ofensivo, é mais forte no jogo aereo, é mais duro na marcação, arrisca mais nos passes longos, etc.), no entanto, parece-me que é demasiado “duro de rins” caso enfrente um meio-campo mais habilidoso.

Com 0-0 aos 45’’, assistimos a um início de 2ª parte com a mesma toada – SCP com o jogo controlado e o Paços a defender o melhor que sabe e a espreitar o contra-ataque.
Aos 50’’ o Levezinho inaugura após excelente domíno de bola (e não menos excelente abertura do Veloso). Acto contínuo Mota tira o Ricardinho (chegou a jogar?!) e entra o Cristiano. Com esta alteração o Paços ganhou duas alas rápidas para servirem o João Paulo.
O SCP continuou a mandar na partida e podia (devia!!!) ter morto a mesma quando, Moutinho primeiro de cabeça e Yannick depois, não conseguem bater o sortudo Peçanha (Peçonhento é o nome mais apropriado...).

Ora após uma jogada de ataque do SCP terminar no rabo do Alecsandro, o Paços recupera a bola e esta é colocada rapidamente no Cristiano que inicia no seu meio-campo um sprint (deixa o Caneira nas “covas”) que termina com um forte remate de pé esquerdo sem hipóteses para o Ricardo, estávamos perto do minuto 70’’. Depois de estar 20’’ em desvantagem e sem uma única oportunidade de perigo criada, “apareceu” no Paços o pior das equipas do Mota e as “lesões” nos seus jogadores começaram a acontecer a um ritmo alucinante...
Até ao fim, o jogo manteve o scrip inicial – SCP em ataque continuado e o Paços a espreitar o contra-ataque. A sorte não esteve connosco pois, até o Liedson conseguiu falhar de baliza ABERTA(!!!) aos 90’’ (fez-me lembra outras “Amélias” da nossa praça....).
Aos 94’’ o Mota ainda fez uma última substituição...

Resumindo, faltou claramente sorte!!

2 notas:

Não gosto do Mota! Representa um tipo de treinador que privilegiam o fim independentemente dos meios, ou seja, equipas assentes num jogo muito duro com dois ou três avançados de qualidade, sobre os quais recai a responsabilidade de resolver o jogo (ou de um bom batedor de livres...). Quando estão em situação de vantagem aparecem “lesões” a um ritmo alucinante! Quando perdem os jogos foi porque o árbitro não foi sério, etc. e tal..., Este género de treinador fez “escola” no futebol português (Jaime Pacheco, o António Sousa, o Artur Jorge, entre outros) nas décadas de 80 e 90.

O meio-campo do SCP, e pelo segundo jogo consecutivo para o campeonato, foi constituído por jogadores da nossa formação ou que chegaram ao clube ainda com idade de Júnior (Nani). Sei que dada a qualidade dos mesmos, naturalmente, que não vão permanecer muitos mais anos em Alvalade, no entanto, este não é um meio-campo de futuro, é (e reforço) pela qualidade que já apresentam, um meio-campo do Presente.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Porque Hoje é Sábado !

FCP: 4 - Naval: 0

Voltou a calma ao reino do Dragão. Depois da tempestade, a bonança. Mesmo debaixo de um temporal, a normalidade voltou a imperar na equipa do FCP. E a principal diferença sentiu-se precisamente na crítica que tinha feito na derrota com o Estrela: Falta de agressividade e de velocidade.

Neste jogo, o Porto entrou com vontade e com ganas de resolver rapidamente o jogo para depois descansar e pensar no "celse" (como diria o mestre Alves). Jesualdo decidiu mudar o esquema habitual do 4-3-3, para passar a um 4-4-2, ou se quiserem a um 4-3-1-2, com o Bruno Moraes a apoiar os dois pontas de lança, Postiga e Lisandro. Neste jogo resultou bem, pois o Porto fez uma primeira parte de luxo, entrando em campo com uma atitude arrogante e aniquilando qualquer pretensão que eventualmente a equipa da Figueira pudesse ter.

Jesualdo disse no final que esta alteração nada teve a ver com o castigo do Quaresma. Eu não direi o mesmo e vou esperar pelos próximos jogos. Isto porque, na minha opinião, este esquema não se adaptará ao Quaresma. Não estou a ver o Quaresma a fazer a posição que o Bruno Moraes fez hoje. Quaresma rende muito mais num flanco do que a meio. Por isso, arrisco a dizer que contra o Chelsea o Porto voltará ao 4-3-3.

Foram 4, mas poderiam ter sido mais um ou dois. Quer pelas oportunidades que perdeu, quer pelos penaltis que os homens de preto não viram. Já tive a oportunidade de ver o resumo na TV e em dois lances que no estádio me deixaram dúvidas, há um que não mostram (mão de um jogador da Naval) e no outro, as dúvidas que poderia ter cairam por terra, pois confirmei a falta que o Fucile sofreu na área adversária. Não tenho dúvidas que hoje em dia os árbitros estão condicionados por tudo aquilo que se tem dito relativamente ao processo do apito. Os homens de preto só voltarão a marcar um penalti a favor do porto quando alguém partir uma perna ou arrancar um olho a um jogador do Porto dentro da área.

Julgo que está na altura desta palhaçada terminar. Palhaçada que ontem teve mais um episódio curioso: Os senhores do conselho dos trengos decidiram adiar a decisão relativa ao castigo do Quaresma para a semana. Que é isto? Mas somos todos estúpidos? Então adia-se uma decisão que para a semana já não produz qualquer efeito? Se derem razão ao Quaresma, acontece o quê? fica com um castigo à maior? Poderá ser expulso uma vez, ficando esse castigo saldado? Decisão que se torna ainda mais estúpida, quando os trengos tomam uma decisão no castigo do Zé Pedro. Há decisões para uns e não há para outros? Quero que fique claro que não estou a tomar o partido do Quaresma. Já não tenho muita paciência para dizer se tem ou não razão. O que quero mostrar é nojo pela brincadeira que estes trengos andam a fazer.

Se querem prender o Pinto, que o prendam, mas deixem é o Porto em paz e deixem de gozar todos aqueles que lá trabalham e todos os seus adeptos.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Colunista Convidado Residente, por JMMA


Requiem para uma Taça

Música de Rui Veloso
Letra inspirada em A Paixão (Segundo Nicolau da Viola) de Carlos Tê.


Tu eras aquela que eu mais queria
Para ter este ano algum conforto e alegria
Era só no Jamor que eu sonhava estar
Para vencer e até quem sabe? Talvez golear

Ai o que eu sonhei em te ganhar
O que agradeci ao Atlético por me ajudar
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu
E nem com a ajuda do sorteio ele se moveu

(Refrão)

Mesmo parecendo que era fácil
Qualquer coisa sentia em mim
Que te podia perder
Com os coxos do Varzim

Era só a ti que eu mais queria
Ver o Simão a erguer-te nesse dia
E a bancada ao rubro logo a explodir
Num aplauso maluco sempre a subir

Mas tu não ficaste nem para os ‘quartos’
Sem um adeus puseste-te a jeito dos lagartos
Contigo aprendi uma grande lição
Não lutando pela dama o Mendonça deita-lhe a mão

(Refrão)

Foi aos 77 que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixão por ti era um lume
Que não tinha mais taça por onde arder.


(Espero, para a próxima, regressar já refeito do sismo e de posse do meu benfico-optimismo habitual. Adepto é assim: hoje pode estar com azia mas amanhã... venha o cachecol que agora é que vai ser!)

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Benfica não quis ganhar na Póvoa


Não me apetece falar muito sobre este jogo. É isso mesmo que vocês estão a pensar: estou com azia.

O Benfica não correu, não lutou, não respeitou o adversário. O Benfica foi uma equipa que parecia que estava a jogar por obrigação, e à espera que as camisolas marcassem os golos.

Não gostei. Não gostei mesmo.

Parebéns ao Varzim que honrou a camisola.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Derlei Dixit

"O Benfica é o clube do povo, das massas, e senti isso desde que cheguei a Lisboa. Já representei outro grande clube português, mas, querendo ou não, há que dizê-lo, o Benfica tem outra dimensão. Só se tem noção do que é o Benfica estando cá dentro" DERLEI DIXIT

Isto ninguém pode negar, não senhor.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Colunista Convidado Residente, por JMMA

Halloween

Foi por demais evidente que o que se passou, sexta-feira (2), naquele tresloucado Benfica nicles – Boavista niente, foi algo tão extraordinário que não pode ser entendido senão à luz das ciências do oculto. Certo esteve o treinador benfiquista quando rejeitou o factor sorte como explicação para o ‘nulo’ dos encarnados, num jogo que foi um verdadeiro vendaval de ataque.

Dou-lhe razão. Noventa minutos avassaladores do Benfica sem materialização em golo, quatro bolas nos postes, uma overdose de remates falhados na cara do guarda-redes, lances de ai! ai!, ai!, sacados atabalhoadamente sobre a linha de baliza à razão de um em cada dez minutos de jogo – não – não me venham dizer que isto é falta de sorte. Chamem-lhe magia negra, ritual espírita, bruxedo… o que quiserem, falta de sorte é que não.

Basta abrir os jornais! Diz um: «William entregou-se ao vodu para impedir os festejos encarnados». Noutro: «camaronês milagreiro». E até houve quem não se coibisse de recomendar: «Mandem benzer os postes»!

Ainda mais: Fontes próximas da «Águia» dão conta de terem sido detectadas no estádio, após o jogo, evidências relacionadas com rituais estranhos. Além de objectos exóticos como calhaus, missangas e papelinhos com ervas, foram encontradas dezenas de alhos, dispostos simetricamente junto aos postes das balizas. E numa caixa de sapatos achada na boca do túnel foram até encontrados três sapos vivinhos da Costa. (Disse três sapos, não disse três Pintos). Por sua vez, Nulo Gomes e Katso Azarado revelaram ao treinador que sempre que se isolavam na cara do guarda-redes, assustavam-se imenso porque, de repente, em vez do William deparava-se-lhes na baliza o médium africano professor Fofana, com barbas, barrete e tudo!

Perante tais evidências, o presidente e a virtuosa direcção dos benfiquistas, apesar da boa-fé, não puderam deixar de relacionar os factos com o desenrolar anómalo das partidas quer do FCP quer, sobretudo, do Sporting, de tão «Buena» sorte que fez bingo mesmo sem jogar. Soares Franco, identificado a meio da semana a comprar galinhas pretas e réstias de alhos na feira da Malveira, é outro pormenor que não deverá ser omitido na compreensão dos acontecimentos.

«Quando a maldição no futebol chega a estes limites, o mal é realmente profundo», afirma a direcção benfiquista, que já fez chegar à Liga uma exposição exigindo medidas urgentes. Segundo os encarnados, tais medidas deverão passar pela profissionalização, não dos árbitros, que é uma patetice, mas dos bruxos, videntes, cartomantes, tarólogos, exorcistas e demais especialistas no oculto que operam em roda livre no nosso futebol.

«Não faz sentido, uma actividade tão decisiva para os resultados não estar regulamentada», afirma a exposição. Por isso, a bem da verdade desportiva propõe-se: (1) a inscrição dos bruxos na Liga, para distinguir os bons dos maus profissionais; bem como (2) a obrigação de cada bruxo afixar tabela de preços e ter livro de reclamações.

Ao que consta, a Liga aceitou já a proposta, dependendo a sua concretização apenas de um pormenor prático que tem a ver com fiscalização. Isto é, se um clube reclama que o vidente acertou na maldição do frango, mas trocou a baliza onde este se deu; ou se alguém protesta que o espírita, ao contrário do que prometera, não encarnou o Ronaldinho no trambolho do Alecsandro; ou que a poção do bruxo, afinal, não melhorou em nada a pontaria de remate do Postiga, como comprovar a fraude e punir o charlatão?

Tenho uma sugestão: Constituição urgente, no seio da Procuradoria da República, de uma Comissão permanente para Bruxarias e Vidências, presidida por uma procuradora especial, a fim de investigar os feitiços fraudulentos e controlar a qualidade das poções.

Talvez, com a experiência adquirida, esta Comissão do oculto, chamemos-lhe assim, possa um dia vir a provar também o jogo sujo dos dirigentes.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Linz a caminho da Luz?


Causou estranheza, o melhor jogador do Boavista - o ponta de lança Linz - sem razões aparentes, não ter alinhado no estádio da luz na passada Sexta-feira.

Estará ele a caminho da Luz?

17ª Jornada - Erros de Arbitragem

Sporting:5 Nacional:1

60’ Penalti a favor do Sporting mal assinalado. Diego sai aos pés de Liedson e toca primeiro na bola.

75’ Bueno comete falta sobre Alonso no lance do 1-1

(2 erros grosseiros a favor)

Benfica:0 Boavista:0

80’ O avançado do Benfica Derlei agrediu o boavisteiro Grzelak após a disputa pela posse de bola. Ficou por mostrar um cartão vermrlho.

(1 erro grosseiros a favor)

FC Porto:0 Estrela Amadora:1

54' Houve mão de José Fonte quando o defesa disputa uma bola com Ricardo Costa na área do Estrela da Amadora. Penalti por assinalar a favor do FCP.

(1 erro grosseiro contra)
(1 ponto indevido contra)

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Novidade do FootBicancas

No post "Estado da Nação", tínhamos dito que o FootBicancas ia ter uma novidade. Ela será lançada já hoje. Este blog terá a partir de hoje representação Sportinguista, com os comentários aos jogos da equipa leonina feitos por dois convidados: Joaquim Claro e Rui Martins.

Queremos que o blog seja ainda mais plural, por isso, achamos que devíamos utilizar o mercado de inverno para contratar novos jogadores e dar também algum sangue novo ao blog.

Bem vindos ao FootBicancas e esperamos que sintam a mística deste blog no mais curto espaço de tempo.

SCP: 5 - Nacional: 1, por Joaquim Claro

Nota(s) introdutória(s):

Quero agradecer aos Bicancas, na pessoa do Vítor Peliteiro, a confiança depositada.
Espero estar à altura do Blogue.
Tudo farei para, como “adepto irracional e incondicional”, analisar o mais friamente possível as prestações da equipa de futebol profissional, dessa grande instituição que dá pelo nome de Sporting Clube de Portugal – Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, eis o Sporting!

Partilharei este espaço de “Vox Pop” com o Rui Martins (já devidamente negociado e autorizado pelo Vítor)

Joaquim José Claro

PS: ... vocês vão se arrepender...


O Nacional é uma equipa típica do Carlos Brito, por partes. A defesa do Nacional é muito boa (o resultado deste jogo peca por exagerado). Um guarda-redes seguro e com presença física (Diego), dois centrais extremamente fortes (Fernandes e Ávalos - continuo sem perceber porque é que saiu do Boavista...) e laterais bastante certinhos a defender e que sabem atacar (Patacas e Alonso).

O meio campo (Chaino, Bruno, Bruno Amaro, Zé Rui e Juliano, com este último mais adiantado) faz uma excelente cobertura defensiva ao nível da ocupação de espaços e, quando necessário, sabe sair a jogar muito bem.

No ataque parece-me uma equipa deficitária em relação a anos anteriores, sem que exista um jogador que sirva de referência e/ou marque a diferença. Se bem que um único jogador torna-se presa fácil (com a excepção para os craques, coisa que o Rodrigo não é!) para a defesa adversária. Gostei muito do Alonso, do Bruno Amaro e do Juliano.

O SCP não apresentou o seu modelo de jogo típico até à data, i.é, um futebol muito “trabalhado” e calculista a meio-campo na expectativa que surja uma falha defensiva (um decalque do Paulo Bento enquanto jogador...), muito por “culpa” da ausência do Custódio. No entanto apresentou os mesmos pecados e virtudes que tem apresentado, sendo que uns se evidenciaram mais que outros. Centrando nos mais evidentes:

- Falta um jogador no meio-campo que se assuma na condução contínua de jogo – o Nani é jogador de momentos e explosões, falta regularidade durante os 90’’ ao Carlos Martins e o Moutinho tem sido prejudicado pela sua enorme polivalência pois, caso fosse “trabalhado” para a função e apesar de jogar sempre em “alta rotação”, poderia resultar.

- Falta um parceiro ao Liedson na frente – o Yannick chegou esta época a este patamar, Alecsandro e Bueno não são consistentes.

- Quando pressionada (envolvente, resultados dos adversários directos, contingências negativas do próprio jogo, etc.) a equipa demonstra alguma inconsistência a nível anímico – situação natural num grupo de 11 jogadores com uma faixa etária tão baixa, principalmente, no “coração do jogo” que é o meio-campo.

Breve filme do Jogo:

Durante os primeiros 20'' foi um jogo sem "estória". O SCP tinha o domínio do mesmo, em grande parte consentido pela postura e disposição táctica do Nacional. Creio que a opção do Carlos Brito foi a tentar aguentar uma, eventual, maior pressão nesta fase inicial e depois, ver o que dava.

26’’ – a equipa do Nacional troca a bola a seu bel-prazer desde a sua área, Alonso na esquerda da grande-área Leonina assiste Bruno Amaro que chuta para golo. Desde o início da jogada até à sua conclusão que a equipa do SCP fez figura de “corpo presente”!!

28’’ – grande trabalho de Yannick

29’’ – remate forte de Caneira e grande defesa de Diego.

36’’ – “bola de ressaca” e pontapé forte de Juliano (bom pé esquerdo).

40’’ – completa falta de ideias e de “tesão” por parte do meio-campo do SCP.

43’’ – 8º canto a favor do SCP...


Nos segundo 45’’ (ou melhor nos últimos 15’’...) a sorte do desafio transfigurou-se.

46’’ – primeiro amarelo do desafio para Tonel

50’’ – livre indirecto na grande-área do SCP que foi resultado de uma enorme falta de coordenação entre o Caneira e o Ricaro. Bruno Amaro chotou muito forte... por cima (uf!!).

53’’ – Yannick cai e falha, inacreditavelmente, sobre a linha, uma jogada de contra ataque.

57’’ – Paulo Bento mexe na equipa. Tonel (com amarelo) e Carlos Martins por Bueno e Pereirinha (levei as mãos à cabeça...). Veloso passa para central (até aqui era trinco), Moutinho desce para trinco e Pereirinha encosta a ala direito.

60’’ – Liedson a “chatear” e Diego a fazer pénalti sobre o 31!

61’’ – Liedson na marca de castigo máximo e ... acerta num pombo que sobrevoa o estádio (acendi mais um cigarro e arranquei uns quantos cabelos – não por esta ordem)!!

64’’ – Tello sai lesionado (virilha aberta) e entra Romagnoli (como ainda me doía o couro cabeludo comecei a atacar as unhas...). O SCP passa a jogar com três centrais, Caneira faz a cobertura do lado direito (com Pereirinha a fechar), Polga ao centro e Veloso a fazer o lado esquerdo.

69’’ – Boa jogada de ataque pela direita e Liedson, já na grande-área, a chutar... nem ele sabe para onde...

74 – “Caixinhas” na esquerda entre Romagnoli e Nani com cruzamento do último e Bueno a facturar (... Bueno?!?!?, o Bueno?!?!?)

77’’ – Pereirinha inicia jogada na direita, a bola chega a Romagnoli na esquerda que entrega em “bandeja de ouro” a Bueno para este bisar (... Bueno?!?!?, o Bueno?!?!?).

78’’ – Forte remate do “meio da rua” por Bruno Amaro.

84’’ – Pereirinha recupera defensivamente na direita e coloca a bola de imediato em Liedson que faz um monumental “cabrito” a Ávalos e dispara para a baliza, aguentando muito bem a pressão feita por Ávalos, com Diego a fazer a mancha chuta para o terceiro golo!

88’’ – Recuperação defensiva de Liedson (!!!) que coloca em Moutinho, este ultrapassa Ávalos em velocidade e abre na esquerda para Nani que... se atrapalha com a bola! Sintomático do jogo que realizou.

90’’ – Contra-ataque de Yanick pela esquerda e assistência para Bueno fazer o hat-trick (!!!!).

92’’ – Passe de Liedson e grande trabalho de Bueno (com uma simulação tira Ricardo Fernandes e Ávalos da jogada!) para fazer o seu Pocker (!!!!!).

Nota finais:

Depois do 2º golo do SCP, o Nacional teve de abrir o jogo e dai resultou o descalabro defensivo.

No primeiro golo do SCP os comentadores fazem alusão a uma, eventual, falta de Bueno. Confesso que fiquei com a mesma impressão mas o estranho é que não vi nenhum jogador do Nacional a reclamar!!

Os comentários da TVI são muito “manhosos”!!!
Excelente jornada para o SCP que, com a ajuda do Estrela, ganha 6 pontos

FCP: 0 - Estrela Amadora: 1

Mau, mau Maria. O Porto voltou a cair e já não estou a gostar nada da brincadeira. Não me lembro de ver o Porto perder três vezes seguidas, o que em abono da verdade, não é lá muito bom sinal.

Julgo que ao Porto da noite passada faltou fundamentalmente velocidade. Não sei se foram as rabanadas do natal ou se se trata apenas de falta de um preparador físico em condições. Ontem comentava com o meu pai, no meio de toda aquela desilusão, que um dos motivos para a falta de velocidade podia estar no facto de haver muitos Sul Americanos. Não sei se a análise pode ser tão linear e simples como esta, mas que na América do Sul o futebol é mais lento do que no Europeu, isso ninguém duvida.


Acho mesmo que o que faltou mesmo ao Porto foi velocidade. Velocidade necessária na criação de desiquilíbrios e velocidade para abrir a bem escalada defesa do Estrela. Não sei se o Jesualdo terá a responsabilidade toda porque o homem entrou com os jogadores que tinha disponíveis, tendo em conta a manutenção do seu esquema de jogo habitual. Acho que o homem, numa de desespero, errou quando quis dar numa de Adriaanse. Tantos desgostos sofremos com o Adriaanse, tanto o gabei por voltar às equipas seguras, quando para meu espanto decide voltar a jogar em 3-3-4. Meu amigo, foi a morte do artista. E aqui tenho que tirar o chapéu ao Faquirá. Este, quando vê que o Porto começou a jogar com três defesas, mete no terreno de jogo um extremo rápido como é o Zamorano e explora muito bem o facto do seu adversário jogar com apenas três defesas.


Bom, mais uma derrota, mas o que nos vale é que ainda dependemos de nós. Até ver.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Benfica:0 Boavista:0

Grande jogo de futebol. Grande espétaculo. Grande exibição do Benfica. Grande arbitragem, e os Deuses devem estar loucos.

Provavelmente a melhor exibição desta época. Com uma assistência de 50.000 espectadores, um ambiente fantástico, e uma equipa empolgante, o Benfica massacrou literalmente o Boavista.

Com 4 bolas nos ferros, 3 lances de jogadores isolados frente ao William e mais uma mão cheia de oportunidades claras de golo, bem se pode dizer que o GR Senegalês do Boavista, devia ter formulado uma macumba africana às balizas da Luz.

Já levo alguns anos de futebol, e não me lembro de vêr um jogo assim. Uma equipa com um caudal de jogo ofensivo tão elevado e com tantas oportunidades iminentes de fazer golo, não conseguir marcar.

Quando oiço certos comentadores a falar de futebol como se fosse uma ciência exacta (ex: Joaquim Rita), dá-me vontade de rir. Este jogo é a prova provada, que uma partida de futebol acima de tudo é um jogo, onde a sorte e o azar têm um peso muito forte no resultado final.

Na última crónica que fiz (jogo do Belenenses) escrevi: "só tenho pena do campeonato não começar agora", ideia que mais uma vez reitero aqui. O Benfica está bem, e recomenda-se.
É provavelmente, a melhor equipa portuguesa da actualidade.

Porque Hoje é Sábado !

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Disciplina

Há coisas das quais não percebo mesmo nada. O conselho de justiça ou a comissão disciplicar ou lá como se chamam os gajos são uns valentes trengos. Mais uma vez voltaram a mostrar toda a sua coerência na aplicação dos castigos a jogadores.

Que eu não perceba nada disto, é verdade, mas ainda sei ver o que é uma agressão. E para mim uma agressão é uma agressão (passo a redundância). Nem mais nem menos. Pelos vistos para os senhores existem vários tipos de agressões. Para eles, umas agressões são feitas por jogadores do Benfica, outras por jogadores do Porto (se calhar no mesmo patamar os do SCP) e finalmente existem os outros. Ou seja, aos jogadores do Benfica um vermelho por agressão vale um jogo de castigo. Aos jogadores do Porto (SCP?) um vermelho por igual motivo vale dois jogos. Os outros desgraçados levam três, para aprender a não ter influências na comissão dos trengos.

Na prática e cumprindo a ordem, o Nuno Gomes levou um jogo, o Quaresma dois e o Zé Pedro três. Pergunto: Qual a diferença?

Terá sido o Nuno Gomes mais meigo? Relembro que com a entrada que o Nuno Gomes teve sobre o Moutinho, o jovem leonino só não teve o mesmo destino do Anderson por mera sorte. Terá o jogador encarnado tido algum tipo de atenuante por já ter sido expulso num jogo anterior? Provavelmente é isso. Provavelmente é esse o critério. Como o Quaresma nunca tinha sido expulso esta época, levou dois. Ou então levou dois jogos porque o jogador que agora lhe arrancou a expulsão (como o próprio assumiu) já o tinha afastado por dois jogos fruto da cotovelada que lhe deu no primeiro jogo do campeonato.

Claro, é isso. Como o Quaresma já tinha ficado de fora dois jogos por uma cotovelada sofrida, a comissão dos trengos achou que era coerente voltar a mandar o Quaresma para a bancada por mais dois jogos. Elementar meu caro!!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Colunista Convidado Residente, por JMMA

Rato Miccoli

Numa semana com tanta matéria de interesse informativo - desde a apresentação do novo equipamento cor-de-rosa (!) do Benfica, até à notícia sobre a nova namorada brasileira do Bimbo da Costa que, segundo se diz, além de não saber escrever, é cega, surda e muda, não vá o diabo tecê-las -, pois, com tantos temas fantásticos, o que é que haveria de monopolizar a atenção do povo? O pé dorido!

Recordando o que foi a semana informativa, veja-se bem, o pé dorido: (1) marcou a agenda da actualidade informativa, (2) moeu o juízo aos benfiquistas, e (3) tudo acabou em bem graças a um acto de contrição seguido de uma sábia adenda contratual. É assim: não se pode dizer que quando um pé dorido zorna os outros baixam as orelhas, porque pé dorido não zorna. Mas o que é facto é que se os benfiquistas julgam que põem, o pé dorido dispõe.

Que o pé dorido marcou a agenda e pôs à prova a nossa pachorra é uma evidência que salta aos olhos, basta passá-los pela imprensa do passado recente. Em todo o caso, a história resume-se assim.

O jogador chegou ao Benfica rotulado de estrela, mas por causa do tal impertinente pé dorido o seu contributo para a equipa tem-se revelado uma espécie de pisca-pisca com falta de pilhas. Há dias, o caldo entornou-se. Um lamento mais que justificado do treinador sobre o fraco rendimento do jogador foi a gota de água que fez com que este viesse imediatamente a público pôr os pontos nos ii. À mistura com umas sarrafadas grosseiras, merecedoras de cartão vermelho, o atleta do pé dorido apontou o lampionismo como sendo o grande Satã, disse que não estava gordo, e até jurou que o excesso de peso de que o acusavam não passava de mera ilusão. Ilusão, note-se, apenas motivada pela cor das camisolas, uma vez que o vermelho não lhe favorece a silhueta. Dito isto, amuou e deu uma de Floribella: “Se não gostam de mim posso ir-me embora”.

A sorte foi que logo a seguir veio o aniversário do avozinho Eusébio e uns resultados para o campeonato que até pareciam obra do Pai Natal. Com a família em festa, lá se recompuseram as coisas. Mesmo assim, o Orelhas ainda puxou pelos galões: «Eu não sou parvo, essa história do pé dorido, pé dourado ou lá o que é, não passa de pieguice. Uma ‘inflamação de oito milímetros’, não é caso para tanto. Os benfiquistas é que estão fartos das niquices do pé dorido». Gritou: «Aqui Der Lei! Aqui Der Lei!» e sabe-se no que isso deu.

Entretanto, vendo a vida a andar para trás, o jogador abre o livro e revela o verdadeiro problema. «Sabe, Presidente, um gajo passa 90 minutos a correr e a gritar de um lado para o outro, ‘passa! passa!’ Quando finalmente me passam a bola, se calha marcar golo… é um massacre. Já o desgraçado levou com a malta toda em cima, salta o Luisão para a molhada, a enfeitar o bolo à laia de cerejinha delicada. E, como se não bastasse, no fim do jogo, um gajo ainda se sujeita a levar uma série de calduços de malta que nem sequer jogou!»

Como disse no princípio, o problema resolveu-se através de uma adenda contratual, elaborada nos moldes do célebre contrato paralelo entre o Sporting e o João Pinto, o tal que, se não fosse a polícia e o Veiga, já ninguém se lembrava. Ficou, pois, estabelecido que, de futuro, o pé dorido passaria a alinhar com um capacete igual àquele que o Petr Chec tem vindo a usar nas últimas partidas, mas adaptado ao corpo todo. Além disso, o jogador será protegido em campo pelo Petit que está autorizado, em caso de golo, a partir os dentes a todo aquele que se aproximar do pé dorido com exteriorizações de alegria. Luisão, a título do serviço cívico a que está obrigado, deverá dar o pescoço aos calduços no final do jogo, em vez do goleador, sempre que for caso disso.

Enfim, lá se resolveu (e bem) o problema do pé dorido… do Miccoli, evidentemente.